Se no primeiro turno em Londrina a campanha de rua foi considerada tranquila na comparação com eleições passadas, na segunda etapa da corrida eleitoral o clima esquentou entre as coligações adversárias, a pouco mais de uma semana da votação.
Ontem, a Justiça da 157 Zona Eleitoral de Londrina determinou a busca e apreensão de material supostamente apócrifo contra os candidatos Nedson Micheleti, do PT, e Antonio Belinati, do PSL. As duas liminares foram concedidas pela juíza Cristiane Willy Ferrari, no final da tarde.
Uma das decisões se refere aos panfletos apreendidos em três comitês do PT, em uma caixa com pelo menos 20 quilos deles, segundo os oficiais de justiça que efetuaram as buscas. Em um das páginas, o material apresentava imagens de jornais locais e nacionais com manchetes da cassação e da prisão de Belinati. O texto citava ''o prefeito que desviou milhões dos cofres públicos e envergonhou Londrina''. Nos autos, a juíza frisou que as ações a que o ex-prefeito responde ainda não foram julgadas.
Os panfletos contra Nedson foram apreendidos pela equipe da Justiça Eleitoral em frente à Galeria Vila Rica, na Área Central. Com duas pessoas, eles localizaram mais de cem folhas que lembravam a época em que Nedson presidiu a Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina, com termos como ''meliante'' e ''alcoólatra'' usados contra ele. Aqui, a juíza considerou o conteúdo ofensivo à honra do candidato. Até ontem à noite, nem a Folha nem a Justiça Eleitoral haviam localizado na casa da enfermeira Regina Maria Amâncio, que assinou o panfleto. Ela responderá por crime eleitoral.
O advogado do PT, Gustavo Munhoz, informou ontem à noite ter pedido à coligação para não veicular mais o material. ''Mas hoje (ontem) recorremos ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) da liminar'', ponderou. Um pouco antes de Munhoz, o coordenador de campanha de Nedson e presidente estadual do PT, deputado André Vargas, havia sugerido que a distribuição era feita por cabos eleitorais do adversário. ''Sentimos que se trata de distribuição organizada, a menos que ela (Regina) prove o contrário'', afirmou. Além da 157 , o PT entrou com ação também na Polícia Federal (PF) de Londrina.
Pelo PSL, o advogado Adolfo Góes negou a participação da sigla no procedimento. ''Vamos aguardar qualquer notificação para apresentar defesa. Se o panfleto é assinado por outra pessoa, será fácil alegar ilegitimidade passiva nossa'', apontou.

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