O promotor José Aparecido da Cruz – responsável pelas investigações sobre desvios de recursos na Prefeitura de Maringá – vai analisar documentos apreendidos com o empresário-doleiro de Londrina, Alberto Youssef. A busca e apreensão foi pedida por Cruz e deferida pelo juiz da 3ª Vara Criminal de Maringá, Shiroshi Yendo, que expediu carta precatória à Londrina, distribuída à 2ª Vara Criminal. A apreensão ocorreu terça-feira, quando promotores e oficiais de Justiça estiveram na Youssef Câmbio e Turismo, no apartamento do empresário e no apartamento de sua irmã, Olga Youssef Soloviov. Ele é conhecida por ‘‘Flora’’ e tem uma casa de câmbio em São Paulo.
Os promotores de Londrina não quiseram falar sobre o assunto. Segundo informações da promotoria de defesa do Patrimônio Público de Maringá, a apreensão de documentos teve como objetivo investigar a ligação de Youssef com o esquema de desvio de recursos públicos atribuído ao ex-secretário de Fazenda de Maringá Luis Antônio Paollichi. A diligência teria sido motivada por indícios de que haveria documentos revelando essa ligação.
O advogado de Youssef, João dos Santos Gomes Filho, não acompanhou a busca e apreensão porque estava em Brasília. Mas garantiu que Youssef não tem ligação com os desvios. ‘‘Em Londrina os recursos apareceram numa conta que Alberto negou ser proprietário. Em Maringá ele nunca negou que conhecesse Paolicchi e lhe fez empréstimos, mas nunca foi sócio dele’’, afirmou.
O Ministério Público (MP) passou a investigar Youssef depois que Paolicchi revelou que havia repassado cheques da prefeitura para o doleiro. Em depoimento ao MP, o ex-secretário revelou que entre março de 1995 e novembro de 1996, pelo menos nove cheques da Prefeitura de Maringá foram depositados na conta do empresário, totalizando R$ 1,7 milhão. De acordo com Youssef, os recursos foram depositados em sua conta para quitar empréstimos feitos a Paolicchi.
Youssef também contou ao MP ter trocado de US$ 200 mil a US$ 300 mil para o ex-secretário. O doleiro também comentou em seu depoimento que sua irmã, Olga Youssef, também teria feito negócios com com Paolicchi. Ela também teria comprado US$ 200 mil do médico goiano Anis Rassi com dinheiro procedente de licitações fraudulentas do esquema AMA-Comurb, em Londrina. Ela nega essa acusação, mas parte do dinheiro que ainda havia na conta do médico foi apreendida pela Justiça a pedido do MP em Londrina.
Em dezembro de 2000, Youssef ficou 14 dias preso, acusado de ‘‘lavar’’ R$ 120 mil desviados da Prefeitura de Londrina por meio de uma licitação fraudulenta realizada na AMA. Ele também é apontado pelo MP como responsável pela movimentação de R$ 150 milhões em 32 contas fantasmas de agências do Banestado de Londrina.
O juiz da 4ª Vara Criminal de Londrina, Arquelau de Araújo Ribas, responsável pelo caso das contas fantasmas, marcou para 20 de abril o interrogatório do servidor municipal João Edson Danzinger, o ‘‘João Boquinha’’. Ele é acusado de trabalhar para Youssef e também de estar envolvido na lavagem dos R$ 120 mil desviados da AMA. (Colaborou Dimitri do Valle, de Maringá)

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