Justiça afasta sete vereadores no caso Shirogohan
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sexta-feira, 11 de julho de 2008
Fábio Cavazotti E Janaina Garcia<BR>Reportagem Local 
O juiz da 5 Vara Cível, Alberto Júnior Veloso, determinou ontem o afastamento de sete vereadores de Londrina por envolvimento no caso Shirogohan. Todos são suspeitos de cobrar propina para aprovar alteração no Plano Diretor que permitiu à boate erótica construir um motel ao lado do estabelecimento.
Foram efetivamente suspensos dos cargos o presidente da Câmara Municipal, Sidney de Souza (PTB), o líder do Executivo, Gláudio Renato de Lima (PT), e o 1º secretário, Pastor Renato Lemes (PRB). Os vereadores Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), Renato Araújo (PP), Flávio Vedoato (PSC), Osvaldo Bergamin (sem partido), também tiveram o afastamento decretado - mas já estavam fora dos gabinetes por força de decisões judiciais tomadas em outros processos relacionados ao escândalo da Câmara. Também são acusados no caso Shirogohan, os ex-vereadores Henrique Barros (sem partido) e Orlando Bonilha (sem partido).
A decisão do juiz Alberto Veloso representa o primeiro afastamento dos vereadores Gláudio de Lima e Renato Lemes desde que a Câmara se tornou alvo do Ministério Público (MP) após a prisão de Henrique Barros, no início do ano. O presidente Sidney de Souza chegou a ficar fora do Legislativo, por dois dias, no final de junho, por suspeita de envolvimento na 'lista do Caldarelli', mas obteve a recondução ao cargo no Tribunal de Justiça (TJ).
A ação civil pública relativa à boate Shirogohan foi ajuizada na última terça-feira. O despacho do juiz da 5 Vara chegou ao cartório ontem no início da noite, após o final do expediente forense. ''Por isso, o conteúdo completo só poderá ser divulgado na segunda-feira. Mas o afastamento está confirmado'', disse à FOLHA a escrivã Eneida César Sant'Anna.
O promotor Renato de Lima Castro, um dos autores da ação civil pública, considerou a decisão ''extremamente importante para a sociedade porque o agente público não pode atuar sob suspeita de envolvimento com fato delituoso de extrema gravidade''.
Para Castro, os elementos que constam da ação são ''obviamente'' suficientes para justificar a abertura de processo disciplinar na própria Câmara, por quebra de decoro parlamentar. De acordo com ele, a isenção necessária à condução desse processo é outra razão importante para justificar o afastamento dos parlamentares. ''A medida é importante também porque os vereadores terão que atuar no exercício de suas funções para julgar seus pares por ocasião dos processos disciplinares que ocorrerão na própria Casa. (A decisão) é uma vitória para Londrina'', avaliou.
Defesa
Entre os vereadores afastados, cada um reagiu à sua maneira - todos, porém, com aparente surpresa. ''Tomei conhecimento disso pela imprensa, mas vou esperar ser intimado. Me surpreendi, mas decisão judicial se cumpre'', concluiu Renato Araújo. Em situação parecida - afastado liminarmente desde março -, Osvaldo Bergamin foi sucinto: ''Nem estou sabendo - você que está falando''. Se vai recorrer? ''Não, porque não quero mais ser político. Não sou nem candidato (à reeleição)'', justificou. Do mesmo grupo de afastamentos deflagrados pela prisão do ex-vereador Henrique Barros, Flávio Vedoato definiu: ''Isso é uma palhaçada; o que me compele de recursos, vou fazer''.
Pela primeira vez afetado por uma decisão do gênero, o vereador Renato Lemes disse que só falaria a respeito depois de conhecer a sentença. ''Fui pêgo de surpresa'', alegou.
A FOLHA ligou ontem à noite pelo menos cinco vezes para os celulares de Sidney de Souza, Gláudio de Lima e Luiz Carlos Tamarozzi, mas eles não retornaram os contatos.


