Curitiba - Gerson Barbosa Ramos (PTB) assumiu ontem a Prefeitura de Laranjal (170km a oeste de Guarapuava) pela segunda vez. Até quinta-feira ele era vice-prefeito da cidade, que tem pouco mais de sete mil habitantes. Na sexta, Ramos virou prefeito depois que Juvenal Taborda de Miranda (PMDB) foi afastado do cargo pela Justiça de Palmital por ameaçar testemunhas de um processo de improbidade administrativa.
Miranda teria forçado um motorista da prefeitura a fazer uma retratação em um cartório de Guarapuava. O homem, que confirmou as ameaças para a Promotoria de Justiça de Palmital, havia deposto contra o ex-prefeito num processo no qual ele é acusado de simular a reforma de dois ônibus da frota do município. A fraude teria custado aos cofres públicos R$ 70 mil. Miranda responde a seis ações civis públicas por improbidade. Ao todo, segundo a Promotoria, o prefeito teria causado um prejuízo à cidade de mais de R$ 1 milhão.
O vice-prefeito, que tomou posse no fim da tarde de ontem, também responde a uma ação na Justiça. Ele é acusado pela prefeitura de superfaturar a compra de gêneros alimentícios. Para Agenor de Souza Leal Neto, advogado de Miranda, o afastamento do prefeito é fruto de uma perseguição política.
A perseguição, explica Leal Neto, é fruto da briga entre o prefeito, Miranda, e o vice, Ramos. Para a Promotoria de Palmital, as provas de ameaça contra testemunhas são bastante sólidas. Miranda já ficou afastado do cargo por outros 14 meses também por ameaçar testemunhas. Voltou à prefeitura em dezembro de 2007. Dessa vez o juiz determinou o afastamento por 15 meses ou até que todas as testemunhas sejam ouvidas pela Justiça. O prazo extrapola o tempo que Miranda ainda tem no cargo.

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