Justiça afasta prefeito de Brasilândia do Sul
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quinta-feira, 13 de julho de 2000
Vânia Moreira de Umuarama 
O juiz Hamilton Rafael Marins Schwartz, de Alto Piquiri, afastou ontem o prefeito de Brasilânda do Sul (72 quilômetros a sudoeste de Umuarama), Djalma Bozze dos Santos (PSDB), por denúncias de fraudes, superfaturamento e desvio de dinheiro público. Também foram afastados o secretário de Saúde, Valter Bozze dos Santos, irmão do prefeito, e o chefe de gabinete, Eldo de Lima. O afastamento vale por todo o período da instrução processual.
O juiz determinou ainda a indisponibilidade de bens e quebra do sigilo bancário e fiscal dos três e dos empresários Hediney José Prando e Simoni Bortolo Prando, além dos advogados Felisberto Ferreira de Andrade e Luiz Carlos Barbosa, envolvidos no caso.
Segundo denúncia do promotor Vilmar Antônio Fonseca, Santos teria fraudado duas licitações feitas em 97 para reformar, ampliar e equipar o Hospital Municipal. As duas licitações, num total de R$ 102 mil, teriam sido manipuladas para que a empresa Prando e Cia, de Umuarama, fosse a vencedora. O Ministério Público (MP) apurou que os preços dos equipamentos foram superfaturados em mais de 100% e o valor total dos equipamentos entregues pela Prando é exatamente igual aos valores disponíveis no convênio. Alguns equipamentos sequer teriam sido entregues ao hospital.
O promotor ingressou com uma ação civil pública e pediu o afastamento dos acusados para não atrapalhar a produção de provas. Santos não permitiu que Fonseca vistoriasse os equipamentos no hospital e se recusava a fornecer informações e documentos solicitados. Fonseca denunciou também que o prefeito estaria pressionando a Câmara para não instalar uma Comissão Processante, inclusive fornecendo combustível a alguns vereadores para garantir apoio.
O MP também investiga várias outras denúncias contra Santos, entre elas desvio de verbas da merenda escolar, em obras de cascalhamento de estradas rurais e na aquisição de combustíveis. No caso da merenda escolar, a prefeitura tem notas fiscais da compra de 1,5 mil quilos de filé de peixe, mas as merendeiras garantem que nunca serviram peixe nas escolas.
A Folha procurou Santos ontem, mas funcionários da prefeitura informaram que ele e os dois secretários afastados não estavam na cidade. Até o final da tarde, eles não haviam sido citados da decisão judicial. Santos é candidato à reeleição pela coligação PSDB/PPB/PPS e PT. O vice-prefeito Odilo Kabayashi (PMDB) também é candidato, o único adversário de Santos.


