Justiça afasta prefeito de Atalaia
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terça-feira, 09 de maio de 2000
Marcos Zanatta De Maringá 
O juiz Marcos Cesar Romeira Moraes, da 2ª Vara da Justiça Federal de Maringá, afastou anteontem do cargo o prefeito de Atalaia (53 km ao norte de Maringá) Arnaldo Verzolla (PTB). Ele é acusado de irregularidades no uso de verbas para obras de galerias pluviais. A denúncia foi apresentada ao Ministério Público (MP) de Nova Esperança há cerca de um ano por um grupo de vereadores da cidade. Oito ações contra Verzola foram propostas. Existe ainda mais um inquérito que aguarda documentos para ser transformado em ação contra o prefeito afastado. No total, o Ministério Público (MP) conseguiu calcular o desvio de mais de R$ 180 mil.
A ação que deu origem ao afastamento foi apresentada pelo Ministério Público estadual e federal e comprova o uso irregular de R$ 100 mil repassados pela União para obras de galerias pluviais. O promotor Nivaldo Bazoti, de Nova Esperança, explica que o valor, mais a contrapartida de R$ 30 mil do município, deveriam ser suficientes para 1.696 metros de galerias, enquanto a prefeitura construiu cerca de 800 metros. Junto ao empreiteiro Rogério Rodrigo Salomão, de Nova Esperança, o prefeito conseguiu notas da mão-de-obra, mas as galerias foram feitas por operários da prefeitura.
O juiz federal não se manifesta, mas segundo o promotor, a existência de outras denúncias, quase no mesmo teor, acabou gerando o afastamento do prefeito. Na ação, segundo ele, o MP pede a devolução de R$ 90 mil aos cofres públicos, referente ao dinheiro repassado pela União e não utilizado na obra. O prefeito pode entrar com recurso no Tribunal Regional Federal, em Porto Alegre, explica Bazoti.
Verzolla teria solicitado e conseguido com o Estado R$ 30 mil para o término do ginásio de esportes. A verba, segundo o promotor, foi liberada em junho de 1997, mas existe um laudo do Decon comprovando que o ginásio já estava concluído em abril de 97. Outra ação acusa o prefeito de ter desviado outros R$ 30 mil que seriam destinados à reforma de uma creche, que não foi realizada. O MP conseguiu comprovar também que Verzolla fraudou a construção de duas salas de aulas, que custaram aos cofres da prefeitura R$ 27 mil. O empreiteiro Rogério Salomão chegou a confessar que não fez as salas, apesar de ter emitido nota de mão-de-obra no valor de R$ 12 mil.
Outras três ações, segundo o promotor, são referentes ao uso de combustível pagos pela prefeitura para uso particular de Verzolla e dois vereadores. Se condenado, o prefeito afastado terá que devolver os valores apurados e fica com os direitos políticos suspensos.
Verzolla não foi localizado ontem em Atalaia. Segundo a sogra do prefeito, Lourdes Dena, ele estava reunido com advogados preparando a defesa. Ele não ficou abalado porque quem não deve não teme. O empreiteiro também não foi localizado. O vice-prefeito Valter Antonio Roveri (PFL) assumiu o cargo anteontem e promete administrar com tranquilidade.


