O juiz da 1 Vara Cível, Mauro Ticianelli, afastou dos cargos ontem, por suspeita de participação no escândalo da tanatopraxia (técnica de conservação de cadáveres), oito servidores da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários (Acesf): Mauro Pinto Ferreira, Carlos Antônio Martinelli, Luiz Carlos Teodoro, Antônio Vaz Viana, Claudemir Mendes, Ilson Marcolino Barbosa, Geraldo Lopes da Silva Junior e Neio Lucio Martins Bandeira. Além disso, ele incluiu no pólo passivo da ação civil pública ajuizada em 18 de julho pelo Ministério Público, as empresas prestadoras do serviço, Tanato Londrina e Tanatorium Bom Pastor. Até o início da noite de ontem, os servidores não tinham sido informados oficialmente da decisão.
De acordo com o MP, os acusados teriam coagido familiares de pessoas que foram a óbito a contratar - desnecessariamente e por alto custo - o serviço de tanatopraxia. Há suspeita de pagamento de propina aos funcionários da Acesf. Também são réus da ação o ex-vereador Orlando Bonilha - que detinha o mando político da autarquia -, o ex-superintendente, Osvaldo Moreira Neto, os proprietários do Tanatorium, Gefferson Martins e Osmar Martins, e o gerente da Tanato, André da Maia.
De acordo com Mauro Ticianelli, o afastamento cautelar é necessário para que não haja prejuízo à instrução do processo. ''A permanência poderá implicar em dificuldade para a apuração dos fatos, já que prosseguiriam manuseando documentos e tendo acesso a todos que tenham participado dos fatos descritos como delituosos'', assinalou na sentença. O escândalo da tanatopraxia também rendeu o ajuizamento de uma ação penal e de uma ação civil pública na esfera dos direitos do consumidor.
O promotor Renato de Lima Castro, um dos autores da ação, considerou ''fundamental'' o afastamento dos servidores. De acordo com ele, será pleiteado nos próximos dias a inclusão de novas provas ao processo - em referência a documentos apreendidos na semana passada na sede da Tanato indicando repasse de valores financeiros a funcionários da Acesf. A Controladoria do Município também abriu processo administrativo contra os acusados.
Dos servidores afastados, dois estão de licença médica (Mauro Pinto Ferreira e Claudemir Mendes) e um já pediu exoneração (Neio Bandeira). O único que estava de plantão no início da noite de ontem era Carlos Antônio Martinelli. Ele negou as acusações de irregularidades. ''Não teve nada errado, ao que eu tenha conhecimento.'' Mauro, Claudemir e Antônio Vaz Viana, que falaram à FOLHA quando as investigações foram iniciadas, também rechaçaram as denúncias. Os demais servidores não foram localizados pela reportagem.

mockup