Curitiba - A Justiça de Campo Largo adiou ontem os depoimentos dos sete supostos envolvidos num esquema de escuta telefônica ilegal nos estados do Paraná e no Mato Grosso. O adiamento foi pedido pelos advogados de defesa dos acusados presos - entre eles o policial civil Délcio Rasera, apontado como o mentor dos grampos. Quando foi preso, Rasera trabalhava na Assessoria Especial da Governadoria, no Palácio Iguaçu. O juiz Gaspar Mattos de Araújo Filho acatou o pedido de adiamento após o Ministério Público (MP) estadual ter anexado novos 13 volumes ao processo em andamento.
''Resolvi adiar para que não houvesse depois a alegação de que o juízo estava cerceando o direito de defesa dos acusados. Todos serão ouvidos no dia 1º de novembro'', justificou o juiz. O processo agora já tem 18 volumes e mais de 4 mil páginas. Os presos chegaram em viaturas policiais, algemados. Exceto Délcio Rasera, que chegou ao fórum numa viatura descaracterizada, sem algemas e de terno. Rasera está preso na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, em Curitiba, onde normalmente são detidos os policiais civis e delegados envolvidos em crimes.
O adiamento foi um acordo entre os advogados das partes e o promotor João Milton Salles, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC). O advogado Roberto Brzezinski Neto, que defende Juraci Pereira de Macedo (acusado de quadrilha armada e interceptações telefônicas clandestinas) e João Carlos de Almeida Formighieri (ex-diretor da Imprensa Oficial do governo Requião e acusado de interceptações telefônicas clandestinas), informou ontem que terá tempo de analisar as novas provas anexadas antes de formular a defesa dos réus. Ele não quis dar detalhes do processo por se tratar de matéria sob sigilo de Justiça, já que as principais provas estão baseadas em ligações telefônicas e grampos.
As duas filhas de Juraci passaram ontem a manhã no fórum para visitar o pai e mostrar o neto Rafael, de apenas um mês. Nenhuma delas quis falar com a imprensa. Todos os réus chegaram e saíram do prédio sem dar entrevistas. O promotor João Milton disse que as peças juntadas ao processo trazem degravações de ligações telefônicas que foram anexadas para complementar a denúncia -que cita 20 pessoas como integrantes do esquema. Treze delas estão soltas e deverão ser intimadas pelo juízo de Campo Largo para prestar depoimento no mês que vem.
''Ele (Rasera) disse que apenas falaria em juízo. Não foi ouvido na formulação do procedimento que gerou a denúncia. Existe expectativa sobre o que ele vai dizer. Aguardamos a qualquer momento que ele decida até fazer um acordo'', disse o promotor. Tanto João Milton, quanto os advogados dos réus, preferiram não se manifestar sobre o processo. Além de ter sido denunciado por formação de quadrilha armada, interceptações telefônicas ilegais e advocacia administrativa, Rasera responde outra denúncia -essa pública- por porte de arma de uso irrestrito e porte de arma de uso permitido. O processo corre na 5 Vara Criminal de Curitiba.

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