O juiz da 41 Zona Eleitoral de Londrina, Jurandyr Reis Junior, acatou ontem à tarde o pedido de abertura de inquérito para apurar denúncia de irregularidade no caixa oficial da campanha petista pela reeleição. A solicitação havia sido encaminhada pelo promotor Miguel Sogaiar, após novo depoimento prestado pela ex-assessora financeira Soraya Garcia. O delegado-chefe da Polícia Federal (PF) na cidade, Élcio Fuscolin, deve receber ainda hoje a decisão do juiz e distribuí-la para outro delegado.
O pedido feito por Sogaiar se baseia nas declarações de Soraya conforme as quais coordenadores de campanha do prefeito Nedson Micheleti teriam cancelado recibos eleitorais encaminhando as doações para um caixa paralelo, não oficial. Para o promotor eleitoral, ''isso é grave, pois pode se configurar falsificação desses recibos, que são documentos públicos''. Soraya declarou ao Ministério Público (MP) que pelo menos R$ 66 mil teriam passado por essas supostas transações com sete empresas que teriam feito um acerto com o PT. ''A PF ainda tem muito trabalho pela frente, e essas empresas que constam dos recibos terão de se explicar'', comentou Sogaiar.
O advogado do diretório municipal do PT, João dos Santos Gomes Filho, preferiu classificar como ''factóides, denúncias absolutamente inverossímeis'' as novas informações da ex-assessora à Promotoria. Ele afirmou que, por se tratarem de fato novo, analisaria as notas apresentadas por Soraya.
Gomes Filho comentou o saldo de R$ 135 mil não contabilizados pela campanha petista, apresentado pelo delegado da PF, Kandy Takahashi, no balanço de 30 dias de investigação. Mas o tom das críticas ficou mesmo para o pedido de extensão do prazo para mais dois meses feito à Justiça Eleitoral e apoiado por Sogaiar. Para ele, a PF está ''equivocada'' e o MP está ''patrocinando uma perseguição ao PT'' nos trabalhos que, para o advogado, teriam perdido o caráter jurídico e ganhado contornos políticos. ''Em 20 anos de direito, nunca vi um prazo desse'', enfatizou.
''Vamos supor que esses R$ 135 mil sejam fato, não estou admitindo que sejam. É algo muito medíocre para chegar onde chegou. Vamos ficar mais 60 dias com essa goteira pingando? Há de uma forma muito tranquila o patrocíncio do MP dos interesses dessa moça (Soraya), isso sim'', reclamou. Sobre o pedido de acareação entre a denunciante e testemunhas que já depuseram, foi taxativo: ''Além de eu não permitir, isso não vai acontecer nunca, pois é uma pirotecnia. E as demais pessoas não podem ser tratadas como investigadas, elas são testemunhas, inclusive espontanemante. Não existe base legal, lógica para uma acareação'', considerou.
A respeito das declarações do delegado segundo as quais o ex-coordenador de campanha Augusto Ermétio Dias Junior, na quebra de sigilos fiscal e bancário, teria movimentações ''exorbitantes'', Gomes Filho negou que tivessem caráter irregular. ''Todos nós temos problemas com contas, será que nunca recorremos a um amigo que nos empreste?'', comparou.

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