Justiça aceita denúncias contra Maluf, Flávio e Pitta
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de setembro de 2005
Folhapress 
São Paulo - A juíza Silvia Maria Rocha da 2 Vara Criminal de São Paulo aceitou ontem todas as denúncias do Ministério Público contra o ex-prefeito de Paulo Maluf, seu filho Flávio Maluf, o doleiro Vivaldo Alves e o ex-diretor da construtora Mendes Júnior Simeão Damasceno de Oliveira. Os quatro passam a ser réus de crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A soma das penas mínimas é de 8 anos de prisão.
A assessoria de imprensa da Justiça federal informou que a juíza não se repassou informações sobre os pedidos de prisão preventiva. Para o Ministério Público Federal, as escutas telefônicas revelam que o ex-prefeito e o filho tentaram impedir o depoimento do doleiro Vivaldo Alves, o Birigui.
O doleiro, apontado como operador do dinheiro dos Maluf no exterior, disse ter movimentado pelo menos US$ 161 milhões por meio da conta Chanani, do Safra National Bank de Nova York (EUA). Ele afirmou que todo o dinheiro era de Maluf e de seu filho. Segundo Oliveira, o dinheiro que abasteceu contas dos Maluf no exterior foi desviado de obras públicas durante a gestão dele na Prefeitura de São Paulo (1993-1996). Oliveira e Birigui também foram denunciados ontem pela Procuradoria: o primeiro por ser o operador do dinheiro no exterior e o segundo por ser responsável pela divisão da propina.
Para o doleiro, a Procuradoria pediu a delação premiada (redução da pena), porque ele ajudou a investigação (forneceu nomes, números e valores de contas). As informações de Birigui foram confirmadas, com precisão de centavos, pelo banco Safra. Apesar de a Polícia Federal ter solicitado também a prisão do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta (1997-2000), a Procuradoria entendeu que o caso deve ser investigado em outro inquérito que já está em andamento.
Pelas conversas gravadas que embasam o pedido de prisão dos Maluf, Flávio telefonou ao menos três vezes para o doleiro, a quem convidou para uma conversa. Num dos diálogos, Flávio, após referir-se a Birigui como ''amigo'', pediu que não se esquecesse da conversa que tiveram. ''Garanto o que conversamos, e a forma, entendeu? É o melhor para você. Te garanto. Te garanto. Você entendeu? Confia em mim.''
Num outro diálogo, desta vez com seu pai, Flávio disse qual era a orientação ao doleiro. ''Entra mudo e sai calado''. O suposto suborno teria sido feito por um dos advogados de Maluf durante reunião marcada a pedido de Flávio com o doleiro.


