Justiça acata novas denúncias e Lava Jato já tem 42 réus
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de abril de 2014
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - A Justiça Federal do Paraná acatou ontem mais três denúncias referentes à Operação Lava Jato, feitas pela força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF), tornando réus mais 23 pessoas por envolvimento em um suposto mega esquema de lavagem de dinheiro investigado pela Polícia Federal (PF). Desde a última semana foram oferecidas oito denúncias à Justiça, sendo que sete já foram acolhidas e transformadas em ações penais envolvendo 42 dos 46 indiciados pela PF.
Nas denúncias de ontem, mais dois doleiros se tornaram réus, Nelma Mitsue Penasso Kodama e Carlos Habib Chater. A doleira Nelma e outras oito pessoas foram denunciadas pelos crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Segundo a decisão, os acusados teriam, entre outros crimes, promovido a evasão de US$ 5,2 milhões por meio de 91 contratos de câmbio fraudulentos para pagamentos de importações fictícias. A denúncia ainda recorda a tentativa da prática de crime de evasão de divisas por Nelma, quando foi surpreendida e presa em flagrante no dia 15 de março, no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, embarcando para Milão, na Itália, na posse de duzentos mil euros escondidos em sua calcinha, sem a Declaração de Porte de Valores.
Já Carlos Habib Charter e mais nove pessoas foram denunciados por evasão de divisas e formação de quadrilha. Segundo a denúncia do MPF, "Chater é líder do grupo criminoso, e comandaria um grupo dedicado à prática de crimes financeiros, contando com várias empresas de fachada, constituídas e mantidas em nome de laranjas. Além disso, o MPF lembra que Chater manteve negócios com o londrinense Alberto Youssef.
Chater e Kodama continuam detidos na carceragem da Superintendência da PF em Curitiba, assim como os outros doleiros envolvidos na Operação Lava Jato, Alberto Youssef e Raul Henrique Srour. A equipe da FOLHA tentou contato com os advogados dos doleiros denunciados ontem, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.
Petrobras
A terceira denúncia acatada ontem pela 13ª Vara Federal de Curitiba diz respeito ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Além dele, outras quatro pessoas também são réus no processo que apura suposta tentativa de ocultação de provas. Conforme o MPF, durante o cumprimento das buscas realizadas pela PF, Costa teria ordenado que os familiares fossem ao escritório da Costa Global Consultoria, no Rio de Janeiro, e retirassem materiais que poderiam provar as infrações sob investigação na Operação Lava Jato, antes da chegada dos agentes no local. Costa já é réu numa ação por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro junto com Youssef. Esta ação foi aberta na semana passada.
Apenas uma denúncia ainda não foi apreciada pela Justiça Federal. Ela foi suspensa provisoriamente até que um dos acusados (Rene Luiz Pereira) relacionados no processo se defenda do crime de tráfico e associação para o tráfico de drogas.


