Luiz Abi Antoun teria atuado como caixa geral de propinas de Beto Richa
Luiz Abi Antoun teria atuado como caixa geral de propinas de Beto Richa | Foto: Gina Mardones



Curitiba - A JFPR (Justiça Federal do Paraná) acatou a denúncia do MPF (Ministério Público Federal) contra Luiz Abi Antoun, primo do ex-governador Beto Richa (PSDB), por organização criminosa e corrupção passiva. A decisão, referente à Operação Integração, desdobramento da Lava Jato, é desta quinta-feira (14). A peça possui 998 anexos, relacionados a elementos de informação colhidos na fase de investigação.

O MPF afirma que o réu está foragido, tendo viajado para a República do Líbano em setembro de 2018, sem notícias quanto ao seu retorno. Já Anderson Mariano, advogado de Antoun, argumenta que ele não fugiu, e sim viajou, com autorização judicial, para fazer um tratamento médico. A defesa também reafirmou que o acusado segue tranquilo e que vai comprovar sua inocência na Justiça.

Conforme a denúncia, entre 2011 e fevereiro de 2018 o denunciado, "de modo consciente e voluntário", integrou uma organização criminosa que tinha por finalidade a prática de crimes contra a administração pública, estelionato, crimes contra a ordem tributária e lavagem dos recursos financeiros, envolvendo a administração das seis concessionárias de pedágio do Anel de Integração do Estado.

Os procuradores apontam Antoun como operador financeiro de Richa. Ele teria atuado como "caixa geral de propinas do ex-governador, recebendo em dinheiro vivo as vantagens indevidas intermediadas por outros integrantes" do grupo. Também segundo o MPF, o réu, em conjunto com o tucano e com seu contador, Dirceu Pupo Ferreira, por 42 vezes solicitou, aceitou e recebeu o pagamento irregular de pelo menos R$ 2,7 milhões das concessionárias. O dinheiro teria sido utilizado em campanhas políticas e para enriquecimento pessoal dos envolvidos.

A força-tarefa da Lava Jato diz ainda que Antoun foi beneficiado diretamente com mais de R$ 646 mil, recebidos do comitê eleitoral de Richa em 9/10/2014, por intermédio de supostas prestações de serviços de locação de equipamentos, como som ambulante, trios elétricos e palcos para comícios, "sem amparo em qualquer contrato". Os serviços não teriam sido executados.

Os procuradores citam como provas depoimentos do colaborador Nelson Leal Júnior, ex-diretor do DER (Departamento de Estradas e Rodagens) do Paraná, registro de "quantidade relevante de chamadas" do réu para outros investigados e registros de visitas de Antoun ao ex-secretário de Infraestrutura e Logística Pepe Richa, a Ferreira e ao DER, nos quais teriam ocorrido repasses de valores. A defesa de Beto Richa nega desde o início das investigações o envolvimento do ex-governador com irregularidades.

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