Justiça acata denúncia contra 49 por lavagem de dinheiro
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segunda-feira, 24 de maio de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A juíza federal Bianca Georgia Cruz Arenhart, da 2 Vara Federal Criminal de Curitiba, acatou ontem denúncia contra 49 pessoas supostamente envolvidas com movimentações fraudulentas em contas correntes de laranjas em 1996. A denúncia, formulada pelo Ministério Público (MP) federal, cita doleiros, aliciadores de laranjas, laranjas, gerentes de bancos e duas transportadoras. As movimentações eram feitas em Foz do Iguaçu através das agências do Banco do Estado do Paraná (Banestado), Banco do Brasil, Bamerindus, Banco Meridional e Banespa.
Segundo o MP, os denunciados movimentaram US$ 4,1 bilhões durante todo o ano de 1996. Em valores atuais, a soma seria equivamente a R$ 11,9 bilhões. ''Para usarem as contas CC-5 (aparentemente legais), os gerentes sacavam grandes quantias de dinheiro e encaminhavam uma suposta saída do dinheiro do Brasil através de empresas transportadoras de valores. Esse dinheiro retornava e era enviado novamente através das contas CC-5. Sempre nas agências de Foz do Iguaçu'', explicou o procurador da República Rodrigo Ramos da Silva, integrante da força-tarefa que investiga a remessa ilegal de dólares para o Exterior.
As quantias volumosas eram retiradas diretamente na tesouraria do Banco do Brasil, sem qualquer tipo de fiscalização. Num mesmo dia, era sacado até R$ 300 milhões. A peculiaridade, é que em todo o Brasil as contas CC-5 operavam com limite de valor de R$ 10 mil. Em Foz do Iguaçu, não havia limite de operação. ''A norma valia para todo o País. Menos para Foz do Iguaçu. Isso facilitava a fraude. Os funcionários que foram denunciados das transportadoras falavam que transportavam valores, mas não o faziam. A Receita Federal não fiscalizava as transportadoras na Ponte da Amizade, alegando que era perigoso fazer esse tipo de verificação em um local com alta taxa de criminalidade'', apontou Silva.
A força-tarefa do MP tem a cooperação da Polícia Federal, Receita Federal, Banco Central, Secretaria Nacional de Justiça e Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banestado. No Paraná e em São Paulo, estabeleceu-se também cooperação com o Ministério Público (MP) estadual. Também foram formadas frentes de investigação nos Estados Unidos, em cooperação com a Promotoria Federal do estado de Nova Jersey, com o Departamento de Segurança Interna (DHS) e com a Promotoria Estadual de Nova York. No Paraguai (país que faz fronteira com o Brasil em Foz do Iguaçu), o MP federal conta com o apoio do Ministério Público paraguaio.


