Salvador - Dez dias depois de o procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, pedir ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de um processo criminal contra o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) no caso dos grampos telefônicos, o ex-presidente do Congresso teve outra má notícia ontem: o juiz federal Cristiano Miranda de Santana acatou a denúncia da Procuradoria Geral da República e determinou a abertura de uma ação de improbidade administrativa contra ACM. O pedido foi encaminhado pelo procurador Edson Abdon, em maio último.
Na ação, o procurador disse que ACM é o mandante dos grampos e solicita pena máxima para o pefelista - perda da função pública, suspensão dos direitos políticos por oito anos, além do pagamento de indenização às vítimas e condenação por danos morais contra a União e o Estado.
De março a setembro de 2002, por determinação da Secretaria da Segurança Pública, 232 grampos foram realizados em todo o Estado. Entre as pessoas monitoradas, estão os deputados Geddel Vieira Lima (PMDB), o líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino, o ex-deputado Benito Gama e o casal de advogados Plácido Faria, 40, e Adriana Barreto, 32, ex-namorada do senador baiano, casado há mais de 50 anos.
''Depois de ler mais de 2.500 páginas de depoimentos, não tenho mais nenhuma dúvida sobre a participação direta do senador ACM no crime'', disse o procurador federal, quando encaminhou a ação à Justiça.

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