Juros sempre causam polêmica, diz Lula
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de abril de 2008
Tânia Monteiro<br>Agência Estado 
Acra, GANA - No primeiro dia de visita oficial de três dias a Gana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva justificou, em entrevista, a necessidade de o Banco Central ter elevado a taxa básica de juros em 0,5 ponto porcentual na semana passada e disse que não há motivo para ninguém ficar nervoso com esta decisão. ''Se o Banco Central entendeu que, neste momento, era preciso elevar a taxa de juros para evitar que a inflação se assanhasse, ele tomou esta decisão e vamos aguardar para ver o resultado'', declarou o presidente.
Ele observou ser natural que tal medida gere uma enorme ''polêmica'', já que há críticas dos setores produtivos. Lula reconheceu ainda que, daqui a 40 dias, quando nova reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) será realizada, ''vai ter outra polêmica, depois outra, e nós não poderemos ficar nervosos''. O presidente ressalvou, no entanto, que importante é que ''o crescimento de 2008 está garantido''.
O presidente se confundiu ao responder a uma pergunta se a tendência dos juros era continuar crescendo por causa da inflação e disse que ''a tendência é continuar crescendo''. Diante da ressalva que estava sendo questionado sobre os juros, se assustou e imediatamente emendou - crescimento ''dos juros não, da economia''. E acrescentou: ''Nós estamos convencidos de que o Brasil entrou definitivamente em um ciclo de crescimento.'' Lula lembrou que, desde que tomou posse, em 2003, há momentos de ''tensão pré-Copom''.
Mas insistiu que o que importa é que as coisas no Brasil ''têm andado bem, têm melhorado''. Questionado se já tinha absorvido a alta de meio ponto dos juros, brincou: ''Já passou.'' Emendou que já havia passado também o torcicolo que o incomodou na semana passa.
A entrevista do presidente Lula foi concedida no Palácio do Governo, depois da assinatura de atos com o presidente de Gana, John Kufuor. ''O Brasil precisa ter sempre em conta que é preciso ter o equilíbrio correto entre a vontade que o povo tem de comprar e a capacidade que a gente tem de produzir. Se a gente permitir que haja um desequilíbrio muito grande, ou seja, se tiver mais demanda e menos oferta, nós criaremos um problema de inflação e, se tiver mais oferta e menos demanda, nós quebraremos as empresas'', explicou. ''Como nós queremos encontrar um denominador comum, eu acho que as coisas estão bem e não há nenhuma razão para alguém ficar mais nervoso ou menos nervoso porque a economia do Brasil está bem.''
Ao falar da confortável situação da economia, o presidente brincou que ''certamente qualquer dirigente político americano teria muito mais a reclamar da sorte do que nós''. Para Lula, ''a quantidade de investimento está acontecendo, o povo está aprendendo a consumir e obviamente que cabe ao governo manter este equilíbrio''. Segundo ele, o que se deseja é que o povo consuma, que as empresas produzam e que estas duas coisas combinadas permitam o crescimento da economia.


