Juros dão prejuízo de R$ 400 mi a SP
Depois de uma hora e dez minutos de conversa no Palácio do Alvorada, o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), disse ontem ao presidente Fernando Henrique Cardoso que o aumento das taxas de juros provocou uma queda de R$ 400 milhões na arrecadação do Estado. Esse aumento entrou em vigor há quatro meses. São Paulo contribui com uma boa fatia da receita federal e, portanto, uma dificuldade na economia lá, acaba refletindo-se, de alguma maneira, aqui, no governo federal, avisou o governador, que negou ter pedido ao presidente uma redução nas taxas de juros.
Essas informações são úteis para ele e, por isso, achei importante trazer esta preocupação para o presidente. Covas disse que não conversou com Fernando Henrique sobre nenhuma candidatura, nem a dele, nem a do presidente. Ah, meu Deus do céu! Não vim aqui para tratar desse assunto, desabafou o governador, que também afirmou não ter recomendado ao presidente só receber o pré-candidato a governador de São Paulo e ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) em companhia de outras pessoas, que pudessem testemunhar o teor da conversa, como aconteceu na quarta-feira (11), dia da votação da reforma da Previdência. Ao contrário das vezes anteriores, quando Maluf deixou o Alvorada dando a própria versão para o encontro, a conversa foi presenciada pelo líder do governo, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) e o ministro extraordinária para a Coordenação de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos.
Isso não é conselho que se dê porque o presidente não precisa de conselho, mas, se fosse ele, não o receberia sozinho mesmo, comentou. Covas garantiu que não vê mal nenhum em Maluf ir ao Alvorada para um beija-mão. Não vejo nada de extraordinário nisso. Ele ironizou: Acho que o presidente da República passa até por isso - ter de receber o Maluf; o que é que vai fazer?; é um cargo espinhoso; o que vocês pensam?
O governador paulista contou que hoje pela manhã o fizeram jurar que não era candidato à reeleição, mas não informou se jurou ou não. Covas disse que, naturalmente, ouve apelos, mas isso não quer dizer que os atenda.
O fato de ter acertado as contas do Estado não significa que tenha obrigação de se recandidatar. Acertar as contas é um cumprimento da obrigação que eu tinha por ter sido eleito; não é por ser candidato, a não ser que o político faça tudo com algum objetivo concreto, declarou o governador, ao comentar que, quando foi eleito, encontrou as finanças de São Paulo, em estado desesperador. Tratei (das finanças) durante dois anos e diria até com bastante sucesso, afirmou o governador, acrescentando que faz dois anos que conseguiu déficit igual a zero. O Bill Clinton (presidente dos Estados Unidos) acabou de anunciar isso, agora, que vai ter déficit igual a zero lá, e nós, há dois anos, já havíamos conseguido, disse o governador, informando, em seguida, que, no ano anterior a assumir o cargo (1994), o déficit no Estado foi de 27%.





