Juro sobre antecipação preocupa Taniguchi
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de novembro de 1997
Curitiba 
Arquivo FolhaFuturo sombrioTaniguchi prevê desaceleração da atividade econômica e queda da arrecadaçãoO prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PFL), está preocupado com a elevação das taxas de juros, prevista no pacote, sobre as AROs (Antecipações de Receitas Orçamentárias). A prefeitura contraiu empréstimo de R$ 50 milhões no início deste ano com instituições financeiras públicas e privadas. A Câmara Municipal avalizou a ARO, que atualmente é vista como uma alternativa para os municípios com eventuais dificuldades de caixa. O dinheiro, em Curitiba, foi utilizado para ajustes financeiros.
Espero que continuem valendo os mesmos índices contratados, afirma o prefeito. Ele tem de pagar a dívida até o final do ano e já avisa que no ano que vem vai pensar duas vezes antes de optar pela antecipação orçamentária. O pacote deve ainda limitar os valores que podem ser antecipados. Ainda não temos uma visão completa dos reflexos desse pacote fiscal, avalia.
Taniguchi já sabe que a arrecadação do município vai cair. Curitiba recolhe hoje uma média de R$ 650 milhões ao ano. Não temos um percentual estimado da perda, mas é evidente que a atividade econômica vai desacelerar e que a arrecadação com impostos como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços) tende a diminuir, exemplifica. Ele entende ainda que as medidas forçam as administrações municipais a se concentrarem em tributos como o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e o ISS (Imposto sobre Serviços).
A prefeitura trabalha ainda com a possibilidade de redução dos cerca de R$ 30 milhões em FPM (Fundo de Participação dos Municípios) para Curitiba, em 98. Menos ICMS, menos FPM, conclui Taniguchi. Já não basta o que perdemos com a manutanção do FEF (Fundo de Estabilização Fiscal) e da Lei Kandir?, interroga. O prefeito lembra que, desde o início da sua gestão, nenhuma nova contratação foi feita e que cortes no custeio foram executados. Razão pela qual a política de demissões defendida no pacote não terá reflexos no município, emenda.
O vereador de Curitiba, Gustavo Fruet (PMDB), fez estudo dos reflexos do pacote sobre as finanças da cidade. Ele defende ajustes na execução orçamentária. Na previsão, que aguarda a apreciação da Câmara, o ISS representa arrecadação de R$ 165 milhões. Haverá redução desse tributo, avalia. Ele afirma que o pacote incide sobre os repasses federal e estadual para a Educação. Diz o levantamento do vereador que quase um terço do orçamento de R$ 107,4 milhões vem do governo e da União.
Fruet avalia que o reajuste de 15% baixado pelo prefeito há cerca de 15 dias sobre as tarifas de transportes poderá trazer problemas por causa do pacote. Embora tenha concedido reajuste equivalente a mais que o dobro da inflação do período, a Urbs (Urbanização de Curitiba S.A) terá que absorver o aumento dos combustíveis ou acabar repassando esses custos para o usuário, assinala. (L.D.)


