Juristas protestam contra desrespeito a Constituição
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sexta-feira, 07 de março de 1997
Agência Folha 
BRASÍLIA - Treze advogados e professores de direito reacenderam ontem a crise entre os Poderes Judiciário e Executivo, com a divulgação de um manifesto em que criticam o governo FHC e conclamam a nação a uma vigília cívica em defesa da Constituição. Tudo leva a crer que está em curso um processo de ruptura do modelo constitucional democrático instituído em 1988 (ano de promulgação da atual Constituição), para substituí-lo por outro, à imagem e semelhança dos atuais governantes.
A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto informou que o presidente não vai se pronunciar sobre o manifesto. Assinam o manifesto à nação Goffredo da Silva Telles, Fábio Konder Comparato, Dalmo Dallari, Celso Antônio Bandeira de Mello, Evandro Lins e Silva, Paulo Bonavides e Eros Grau, entre outros.
Segundo eles, há uma concentração de poderes por parte do Executivo
que estaria ameaçando a independência e harmonia entre os três Poderes da União, asseguradas pela Constituição.
Eles condenam a aprovação da emenda da reeleição, citando que o governo teria usado procedimentos (do presidente Fernando Henrique Cardoso) que a imprensa noticiou como censuráveis.
FHC pretenderia um modelo símile aos dos presidentes do Peru, Alberto Fujimori, e da Argentina, Carlos Menem, que atualmente exercem novo mandato. Há um clima de personalismo crescente, diz o manifesto. Os ataques ocorrem duas semanas após troca de farpas entre Executivo e Judiciário, em consequência da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) favorável à concessão de reajuste de 28,86% a 11 servidores civis federais.
O manifesto à nação cita declaração de FHC durante o julgamento no STF: Eles (ministros do STF) não pensaram no Brasil. Segundo os 13 advogados e professores que assinam o documento, há nisso gravíssima impropriedade de excitar a opinião pública contra o Judiciário.


