São Paulo - Dois dos três juristas responsáveis pelo texto do impeachment, Janaina Paschoal e Hélio Bicudo, se mostraram cautelosos quanto à possibilidade de aprovação do processo no Senado. "É preciso esperar. Não dá pra prever o que vai acontecer", diz Bicudo. "Mas esperamos que seja aprovado. Os elementos para a aprovação do impeachment estão documentados", disse Janaina. Eles reuniram a imprensa ontem para falar sobre a vitória do procedimento que dá seguimento ao processo de impeachment. Os dois se disseram aliviados com o resultado da votação na Câmara domingo. "Foi um dia de alívio não pelo resultado, que foi justo, mas pela maneira que foi", disse a advogada. O jurista Hélio Bicudo, que foi petista no passado, comemorou. "Mostrou o amadurecimento da população." O advogado Miguel Reale Júnior, que também é autor da peça, não compareceu à coletiva. Era seu aniversário de 72 anos.

O fato de o processo ser conduzido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), denunciado por corrupção na Operação Lava Jato, não causou constrangimento aos advogados. "Nós encaminhamos o processo a quem de direito, que é o presidente da Câmara", disse Janaína Pascoal. Questionada especificamente sobre o voto de Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, acusado de ser um dos mais temidos torturadores da ditadura militar suspeito inclusive de torturar a própria presidente Dilma, Janaina disse que não gostou, mas disse que respeita sua posição.

MICHEL TEMER

A advogada também falou se haveria motivos para o impeachment também do vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP). "Eu acredito que o que tem por hora não justifica o afastamento", disse. Quanto a possibilidade de estender os pedidos de impeachment para governadores que também cometeram as pedaladas fiscais, Janaína disse que não tem "estrutura e nem saúde" para ampliar o trabalho. "Eu não sou a pedidora-geral de impeachment da União." A comissão especial para analisar o pedido de impeachment de Temer continua estacionada na Câmara devido a um acordo de bastidores entre Eduardo Cunha, legendas de oposição e outras alinhadas ao presidente da Casa. Arquivado por Cunha, o pedido voltou a tramitar por decisão liminar (provisória) do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal. Enquanto tenta cassar a liminar, Cunha, aliados seus e partidos de oposição não indicam integrantes para a comissão, o que inviabiliza a sua instalação.

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