Curitiba - O jurista paranaense René Dotti deve entrar até sexta-feira com uma ação popular na Justiça Federal para tentar barrar o aumento de salário de 90,7% de deputados e senadores definido na semana passada. Ele defende que todos os advogados do país organizem uma espécie de ''mutirão cívico'', seguindo seu exemplo e entrando com novas ações contra o reajuste.
Dotti explica que a ação popular pode ser proposta por qualquer cidadão que esteja em dia com a Justiça Eleitoral e é um dos três caminhos previsto pela Constituição para tentar barrar medidas como a do aumento dos salários dos parlamentares. Os outros dois são a ação direta de inconstitucionalidade (Adin) e o mandado de segurança, já protocolados ontem por deputados que não concordam com o reajuste.
O jurista afirma ter tomado a decisão de entrar com a ação por considerar que o país vive uma ''epidemia'' de falta de ética na política. ''Até há pouco ela vinha sendo isolada, com episódios como o do mensalão. Mas com esse reajuste, passou a ser geral, afetando na totalidade um dos poderes da República'', justificou.
Para René Dotti, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) deveria convocar todos os cerca de 500 mil advogados do país para também entrarem com ações populares. ''Seria um mutirão cívico para mudar esta situação'', disse. O jurista afirmou que só espera uma cópia da decisão das Mesas da Câmara e do Senado para entrar com a ação.
As reações contra o reajuste dos parlamentares chegou também ao Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Segundo o economista Cid Cordeiro, a indignação contra o reajuste de 90,7% tem uma explicação simples. ''Desde 2003, quando os deputados tiveram o último reajuste, os trabalhadores tiveram uma reposição salarial média de 26%'', disse Cordeiro. Além disso, se o índice adotado pelos parlamentares tivesse sido aplicado ao mínimo desde 2003, ele estaria em R$ 450.
Para o deputado federal paranaense Gustavo Fruet (PSDB), que se diz contrário ao reajuste, as reações em excesso são extremamente benéficas, já que existe uma preocupação de que o Judiciário não se manifeste sobre o assunto. Fruet foi um dos articuladores do mandado de segurança protocolado ontem por um grupo de deputados, que tenta barrar o aumento salarial. ''O Congresso está enfraquecido e se esgotando nele mesmo. Tem gente perdendo a noção e achando que todo mundo é alienado'', afirmou.

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