O Brasil ainda tem muito o que aprender quando o assunto é campanha eleitoral, sobretudo a forma como tem sido conduzida nos últimos tempos. ‘‘A propaganda é feita como um marketing de vendas de produtos e meses depois do início da campanha o eleitor não chega a nenhuma conclusão esclarecedora’’, afirma o jurista Celso Campilongo, professor de Teoria Geral do Estado da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
‘‘A contrapartida é a apatia da população, que se apresenta na forma de votos em brancos, nulos e no voto de protesto.’’ Na sua opinião, apesar de considerar o processo eleitoral no Brasil legítimo e moderno, são vitais mudanças culturais na mentalidade do eleitor. O professor compara a eleição brasileira com a da Itália, país em que viveu por um certo tempo.
‘‘Lá, existe uma sociedade bastante politizada; o dia das eleições parece um feriadão, é tranquilo, não há boca-de-urna, gente distribuindo panfletos e camisetas’’, compara.
‘‘A tranquilidade que num primeiro momento pode parecer apatia, na verdade é o reflexo de um eleitorado menos exposto a estratégias de marqueteiros.’’
O jurista defende a mudança na legislação eleitoral para permitir o financiamento público das campanhas. Tal medida ajudaria a diminuir o impacto do poder econômico nas eleições e consequentemente fortaleceria a disputa democrática.
Campilongo, contudo, enxerga progressos no processo eleitoral do País. ‘‘Hoje temos liberdade de voto e tranquilidade para votar; avançamos bastante.’’ O professor também vê com bons olhos a utilização das urnas eletrônicas, pois acredita que o sistema é mais seguro que o manual, principalmente na apuração.
Apesar das críticas, Campilongo sente que esta campanha eleitoral, pelo menos na capital paulista, foi menos agressiva e dispendiosa em comparação a eleições anteriores, principalmente na disputa das cadeiras da Câmara. Ele acredita que este é um dado saudável registrado nestas eleições municipais.

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