Jurista critica tolerância zero no combate à violência
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quinta-feira, 05 de setembro de 2002
Mônica Kaseker<BR>Equipe da Folha 
Curitiba O vice-prefeito de São Paulo, o jurista Hélio Bicudo (PT), criticou ontem os discursos eleitoreiros que pregam tolerância zero por parte da polícia no combate à violência. Segundo ele, esse tipo de discurso vem de pessoas que não buscam uma sociedade com paz e harmonia, mas apenas poder pessoal. Bicudo esteve ontem em Curitiba para o lançamento do comitê jurídico da campanha de Edésio Passos (PT) ao Senado.
Bicudo fez palestra na Faculdade Curitiba e visitou a sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O lançamento do comitê aconteceria à noite. A presença do jurista, que ficou conhecido pela sua luta contra o esquadrão da morte durante a ditadura militar, teve o objetivo de realçar o compromisso do PT com a questão dos direitos humanos.
Bicudo, que também foi presidente da Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), defende a presença mais forte do Estado nas áreas mais pobres, como medida erradicadora da violência. ''O crime organizado ocupa espaços abandonados pelo governo, formando um poder paralelo e não democrático onde não há postos de saúde, escolas, creches, delegacias e juízes para atender a população.''
De acordo com Bicudo, essa estratégia foi adotada na atual administração de São Paulo, que priorizou as favelas mais violentas na instalação de novos postos de saúde, creches e escolas. Ele diz que o resultado já começou a aparecer, com queda nos índices de criminalidade e aumento na arrecadação de impostos. ''O abandono de crianças e jovens à miséria é o fermento para que o crime organizado cresça.'' Além dessas medidas, ele prega a unificação das polícias Civil e Militar e descentralização dos sistemas judiciário e penitenciário.
''A Polícia Militar é herdeira da ditadura, é um braço do Exército. Precisamos corrigir essa tendência à repressão'', analisa. Estímulo e carreira única seriam os instrumentos para melhorar a ação policial. Já em relação ao sistema penitenciário, Bicudo diz que ''não basta construir muros entre bons e maus, é preciso recuperar o preso e reintegrá-lo à sociedade''.


