O ministro Raul Jungmann disse que não está sendo intransigente e que não vai abrir mão de conduzir as negociações. Ele disse que o governo não errou ao se negar a negociar com o MST depois que os sem-terra saíram da porteira da fazenda. ‘‘O clima de chantagem continuou’’, disse. Ontem, os sem-terra voltaram à frente da propriedade. Jungmann afirmou que não concorda com a liberação de R$ 2.000 para 110 mil famílias nas mesmas condições de empréstimos da linha A do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronat), isto é, com juros de 1,15% ao ano.
O ministro disse que o governo não está se negando a conceder empréstimos aos sem-terra porque existem recursos disponíveis para os assentados na linha C do Pronaf, cuja taxa de juros anual é de 4%. A linha A é uma linha de crédito criada exclusivamente para os sem-terra assentados no programa de reforma agrária do governo. Eles recebem um empréstimo único de até R$ 9,5 mil e tem prazo de dez anos para pagar. A linha C atende aos agricultores familiares com renda anual de R$ 1,5 mil a R$ 8 mil.
Para Raul Jungmann, o MST não aceita o empréstimo com as condições da linha C por motivações políticas. ‘‘O MST não quer que os assentados virem agricultores familiares para não perder a sua base política’’, afirmou. O ministro disse que depois de um ano como assentados, os sem-terra já têm condições de arcar com as condições da linha C.
O dirigente nacional do MST, Gilberto Portes, disse ontem que a a atuação do ministro Raul Jungmann preocupa não só o movimento dos trabalhadores como o próprio presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘O ministro faz jogadas de marketing. O presidente Fernando Henrique já percebeu que precisa de alguém que responda pelo governo. Jungmann não resolve’’, criticou o líder dos sem-terra.

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