Agência Estado
De Brasília
O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, chamou ontem o ex-governador do Rio de Janeiro e presidente do PDT, Leonel Brizola, de ‘‘golpista’’ por defender a renúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso como mote da Marcha dos 100 Mil. O ministro disse que há golpistas no movimento e que Brizola faz parte desse grupo. Segundo ele, a Marcha caminha para ser um protesto sem rumo por não deixar claro os seus objetivos.
‘‘Manifestação democrática sim, mas golpe e desrespeito às regras democráticas, não’’, disse Jungmann . ‘‘Há espaço democrático para a manifestação, mas para outro tipo de medida não’’, alertou.
O ministro afirmou ainda que os ‘‘golpistas’’ da Marcha querem ‘‘rasgar o título de eleitor’’ de milhões de brasileiros que votaram no presidente. ‘‘É só ver na televisão o que o senhor Leonel Brizola está propondo, isso é golpe’’, atacou Jungmann.
O ministro disse que a biografia política do ex-governador sempre se pautou pela pregação golpista e antidemocrática. Para o ministro, os defensores do impeachment do presidente estão ‘‘contratando’’ a sua própria crise no futuro. ‘‘Se quem hoje está propalando a saída do presidente chegar ao poder, terá dado o álibi e a desculpa para que os golpistas de hoje e de sempre possam removê-lo quando alguma coisa não sair do jeito que eles querem’’, rebateu o ministro.
Na avaliação de Jungmann, as lideranças do PT, PCdoB e do Movimento MST ‘‘vacilam’’ ao não deixar claro o objetivo do movimento e permitir que a manifestação se confunda com um protesto pela saída do presidente Fernando Henrique Cardoso.
E num recado direto ao PT, o ministro afirmou: ‘‘Eu quero chamar a atenção das lideranças do PT para que não embarquem num processo como esse. Qual é o objetivo da Marcha? Fazer a CPI da Telebrás ou pedir o impeachament do presidente?’’, questionou, afirmando que é preciso dizer o que se quer fazer.
O deputado Vivaldo Barbosa (PDT-RJ) reagiu imediatamente ao saber das críticas do ministro. ‘‘O governo está em carga cerrada contra a oposição, em atitude de intolerância que há muito não se via’’, criticou o deputado. Ele disse que muita gente no governo está com a atitude do ‘‘esqueçam o que escrevi’’, pois já foram vítimas da intolerância e agora estariam seguindo o mesmo caminho.
Ele argumentou que a intolerância dos militares, inclusive contra pessoas que hoje são do governo, não levou a nada, a não ser ao fim do regime militar.
Barbosa, que representa o partido na organização da Marcha dos 100 Mil, disse que o governo quer transformar os partidos de oposição em grupos de pressão que reivindicam coisas específicas, como os caminhoneiros. ‘‘Mas a oposição rejeita é a essência da política que este governo representa, e está ganhando a consciência das ruas’’, atacou Barbosa.
O deputado disse que as reações do governo mostram que ele está sem rumo, e teme que a marcha dos descontentes o deixe encurralado. Segundo Barbosa, ao invés de chamar os manifestantes de golpistas, o governo deveria mudar sua política. ‘‘Ou ele muda, ou se afasta do caminho do povo’’, afirmou.

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