O ministro Raul Jungmann (Política Fundiária) disse ontem em Salvador que Luiz Inácio Lula da Silva (o candidato do PT à Presidência da República) está fugindo do Pontal do Paranapanema (extremo oeste de São Paulo). ‘‘Eu desafio o Lula a fazer campanha no Pontal do Paranapanema. Ele (Lula) está fugindo de lá para não se misturar com o MST’’, disse o ministro. O Pontal é uma das mais tensas regiões de conflito agrário do Estado. Segundo Jungmann, ‘‘colar no MST é colar nos saques, nas invasões de terras, práticas que a opinião pública condena’’, ressaltou.
Pela manhã, Raul Jungmann assinou decretos de desapropriação de dez fazendas (no total, foram 36.656 hectares desapropriados para fins de reforma agrária). Depois da assinatura do decreto, o ministro participou de uma reunião com os dirigentes do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). À tarde, depois de almoçar com o governador César Borges (PFL-BA), o ministro voltou a criticar o candidato Luiz Inácio Lula da Silva.
‘‘O Lula passou os últimos anos apoiando as ações do MST para prejudicar o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso’’, disse Jungmann. Para ele, Lula aproveitou o período eleitoral para se ‘‘distanciar’’ do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). ‘‘Lula sabe muito bem que 70% dos brasileiros não aceitam os saques e invasões de terras particulares que são patrocinados pelo movimento.’’
Na opinião do ministro, o presidente Fernando Henrique Cardoso, candidato à reeleição, será bem recebido em uma eventual campanha política no Pontal do Paranapanema. ‘‘Ele (o presidente) já assentou 4.000 trabalhadores rurais na região.’’ Hoje pela manhã, Jungmann inaugura uma escola e um posto de saúde em um assentamento de Itaberaba (BA).
Descentralização O ministro da Saúde, José Serra, também visitou a capital baiana ontem. À tarde, José Serra transferiu para o Estado o único hospital federal da Bahia - Ana Nery. ‘‘Estamos trabalhando para descentralizar as ações da saúde’’, disse o ministro, após a assinatura do convênio.
Pelo convênio, os funcionários públicos federais que trabalham no hospital vão continuar recebendo seus salários pelo Ministério da Saúde. O ministério também se comprometeu a repassar R$ 7 milhões que deverão ser utilizados para a manutenção da instituição. O repasse já estava previsto no orçamento do governo federal.

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