Jungmann deixará cargo no final de 98
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terça-feira, 23 de dezembro de 1997
Agência Folha Brasília 
Pela primeira vez desde que foi nomeado em abril de 1996, o ministro Raul Jungmann (Política Fundiária) afirmou ontem que não pretende continuar no cargo em um eventual segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. Eu sou candidato a ex-ministro, disse ele. Até 98 serei ex-ministro quando o presidente quiser. Depois disso, eu já decidi que vou voltar à minha vida particular. Talvez trabalhar como consultor.
Até antes dessas declarações, Jungmann era apontado como candidato a permanecer no cargo, na hipótese de reeleição de FHC, por ter encomendado no início deste ano estudos para o assentamento de 1 milhão de sem-terra. Membro licenciado da direção nacional do PPS, o socialista Jungmann disse que não pretende se candidatar a nenhum cargo político em 98. Afirmou que ficará no governo para cumprir a meta de assentar cem mil famílias. A assessores ele tem confidenciado que pretende deixar o cargo com a realização de duas metas: emancipar assentamentos e passar a cobrar dos sem-terra pequena parcela dos investimentos realizados pelo governo nas áreas desapropriadas.
Jungmann falou a respeito de seu futuro, ao final da cerimônia realizada no Palácio do Planalto sobre o cumprimento da meta de assentar este ano 80 mil famílias. A pasta ocupada por Jungmann foi criada após a morte de 19 sem-terra em Eldorado do Carajás (PA). Há um ano ele é criticado por alguns dirigentes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), como João Pedro Stedile e Gilberto Portes. Mas ele mantém bom relacionamento com José Rainha Jr., líder do MST no Pontal do Paranapanema (extremo oeste de São Paulo). Para o ministro, o MST vai quebrar a cara se realizar em 98 marchas a favor do candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Jungmann voltou a criticar o deputado Gilney Viana (PT-MT), relator da comissão especial criada pela Câmara para estudar desmatamentos na Amazônia. Segundo o relatório, a reforma agrária é responsável por 30% do desmatamento da Amazônia, conforme reportagem publicada domingo pela Folha de S.Paulo. Isso é charlatanismo ambiental, disse ele. Nunca ouvi falar que os pequenos agricultores de reforma agrária são responsáveis pelo desmatamento na região. A maioria foi assentada em fazendas já desmatadas e em áreas de cerrado.


