Recife- O deputado federal Raul Jungmann (PMDB) começa hoje a coletar assinaturas na Câmara dos Deputados para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar e punir os responsáveis pelos grampos telefônicos feitos na Bahia. Ele anunciou a iniciativa ontem, no Recife, e afirmou que a medida tem a aprovação do presidente do partido, Michel Temer, e do líder Eunício Oliveira.
Jungmann já conversou sobre o assunto com o presidente do PSDB, José Aníbal, que prometeu consultar o partido, e vai procurar o PT por entender que com a bagagem moral e ética que tem, a legenda não vai rasgar sua bandeira.
Para Jungmann, a instalação da CPI do Grampo não será obstáculo para as votações das reformas pretendidas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. ''Não há porque ter esse receio, já que as reformas ainda estão sendo discutidas'', disse, acrescentando que uma ''CPI pontual, precisa e rápida'' não iria atrapalhar o governo. ''Ao contrário, ajuda na consolidação democrática e na própria governabilidade''.
Ele frisou que se o caso não for esclarecido totalmente, com punição dos responsáveis, pode servir de exploração política, com a acusação de que o PT ''estaria protegendo A ou B'' por interesses subalternos, o que poderia resultar na redução da credibilidade do partido e do próprio governo. Ele destacou que a CPI não é contra o senador Antonio Carlos Magalhães. ''Não prejulgo, nem há presunção de culpa de ACM'', disse. ''Mas o mandante, seja quem for, deve ser punido, pois não faz sentido se ter cidadãos acima de qualquer suspeita''.
Jungmann afirmou que a denúncia da advogada Adriana Barreto de que ACM teria grampeado o seu telefone e do seu marido e estaria perseguindo-os, nada teve a ver com sua iniciativa. ''A denúncia apenas dramatiza o fato'', observou ele. ''A minha grande preocupação é com o problema dos direitos e garantias do cidadão''.
Ex-ministro do Desenvolvimento Agrário no governo Fernando Henrique Cardoso, Jungmann lembrou o fato do grampo na Bahia envolver o aparelho de segurança do Estado, com a participação ainda não esclarecida do Judiciário e atingir 466 vítimas, entre elas políticos das duas casas do Congresso Nacional. ''O caso não é regional nem de caráter apenas policial, o caso é nacional e de conotação também política''. ''Grampearam a cidadania nacional'', disse referindo-se à afirmação do presidente do PT José Genoino de que a cidadania baiana havia sido grampeada.

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