Julgamento dos acusados da Assembleia é desmembrado
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terça-feira, 09 de novembro de 2010
Maigue Gueths<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - A juíza Ângela Ramina, da 9 Vara Criminal de Curitiba, que preside as audiências de julgamento de sete acusados de desvio de dinheiro da Assembleia Legislativa, não aceitou ontem os pedidos feitos pela defesa para suspender as audiências devido ao problema de saúde de Abib Miguel, conhecido como Bibinho. Ela decidiu, no entanto, desmembrar o processo. Ou seja, o julgamento de Bibinho correrá paralelamente ao julgamento dos demais.
A audiência começou às 9h30, mas foi suspensa em seguida para a juíza apreciar o pedido de suspensão. Uma das alegações da defesa era de que o processo estaria prejudicado uma vez que o ex-diretor da AL não poderia comparecer às audiências. Bibinho, que estava preso, foi internado no Hospital São Lucas, em Curitiba, na quinta-feira e submetido a uma cirurgia emergencial de hérnia umbilical. Ontem à tarde, contudo, ele recebeu alta hospitalar e já retornou à prisão. A juíza permitiu que ele fosse interrogado depois do depoimento de todas as testemunhas de acusação que ainda precisam ser ouvidas por carta precatória. A sessão só foi retomada às 11 horas, quando a juíza deu seu parecer e determinou a continuidade dos julgamentos do ex-diretor de administração da AL José Ary Nassiff, do ex-diretor de pessoal Cláudio Marques da Silva e de João Leal de Matos, funcionário da AL, que está foragido.
A juíza refutou todos os argumentos usados pela defesa em seu pedido de supensão do julgamento. O primeiro deles questionava a rapidez com que as denúncias teriam sido investigadas. ''A celeridade com que o processo tem sido avaliado tem surpreendido e deixado a defesa perplexa'', leu a juíza. Ângela se mostrou irritada com as alegações levantadas pela defesa que, segundo ela, eram uma tentativa de postergar o julgamento. Ela chegou a dizer que não aceitaria a desmembrar o julgamento dos outros funcionários pois ''nada garante que eles também não ficariam doentes às vésperas do julgamento''.
Outro argumento era de que os dois promotores do Ministério Público do Paraná estariam impedidos de atuar no julgamento uma vez que teriam atuado também na investigação do caso. Os dois promotores são Odoné Serrano Júnior, que é promotor substituto da 9º Vara Criminal de Curitiba e atuou na Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público, e Marla Blanchett, que é membro do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão que ofereceu as denúncias contra os réus.
A defesa também questionou a participação da própria juíza, alegando que ela teria ''um relacionamento com os promotores que extrapola o processo judicial''.''Meu relacionamento com os promotores do MP é infundado e inverídico, e isso me deixou ainda mais indignada. Não aceito a suspensão porque estou fazendo tudo dentro dos ditames legais e fazendo tudo para termos um julgamento imparcial'', disse ela. (colaborou Catarina Scortecci/Equipe da Folha)


