A baixa presença de deputados em Brasília pode comprometer hoje o julgamento do processo do cassação do deputado Sérgio Naya (sem partido-MG). O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), foi aconselhado pelos líderes de todos os partidos a só manter o julgamento na ordem do dia com pelo menos 450 parlamentares na sessão, que tem inicio às 9 horas. Ontem só 287 deputados tinham aparecido.
Contra o quórum pesa ainda a morte do senador Humberto Lucena. Todos os deputados da Paraíba tinham compromisso de voltar ao Estado para o enterro. Uma das soluções apontadas a Temer é entregar a decisão do julgamento ou adiamento da ação ao colégio de líderes. Seria a forma de se evitar o desgaste por causa do adiamento do julgamento. O colégio de líderes poderia, por exemplo, deliberar pelo adiamento, levando-se em conta o baixo quórum.
As entradas do prédio estarão reforçadas hoje, logo de manhã, para evitar a invasão por parte de adeptos de Sérgio Naya. Prevê-se que cerca de 1 mil pessoas serão levadas a Brasília, em caravanas de cidades onde Sérgio Naya tem influência, como Nanuque, Muriaé, Laranjal, Três Pontas e Leopoldina. O presidente Michel Temer reservou 100 lugares para a torcida de Naya nas galerias da Câmara.
Outras 100 vagas estão reservadas às vítimas do Edifício Palace 2, construído pela Sersan de Sérgio Naya, que desabou parcialmente em fevereiro, no Rio, e matou oito pessoas. Dias depois, condenado, o edifício foi implodido. Os antigos proprietários passaram a morar em hotéis e motéis da Barra da Tijuca. Destes moradores pelo menos 30 pretendem estar presentes na sessão de julgamento de Sérgio Naya.
Oito dos antigos proprietários do Palace chegaram a Brasília ontem. Entre eles, Bárbara de Alencar, cujos familiares morreram na queda do prédio: os filhos Milton Neto e Luíza, o ex-marido Milton e a mulher deste, Rosane. Eles foram levados a Brasília pelos deputados Márcio Fortes (PSDB-RJ) e Cidinha Campos (PDT-RJ). Deverão acompanhar o julgamento de Sérgio Naya afastados da torcida do deputado e isolados por seguranças.
Sérgio Naya é acusado de quebra do decoro parlamentar. Teve a cassação recomendada pela Comissão de Constituição e Justiça, por 31 votos a favor, 18 contrários e uma abstenção. Entre suas faltas estão, de acordo com o parecer do relator Marconi Perillo (PSDB-GO), a afirmativa de que costuma falsificar a assinatura do governador de Minas, a confissão de uso de nome falso e a indução ao crime em conversa com representantes de uma cooperativa de costureiras.
O advogado Daniel Azevedo, defensor de Sérgio Naya, tenta adiar o julgamento de seu cliente. Ele requereu ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) liminar em mandado de segurança para impedir o julgamento hoje, sob alegação de cerceamento do direito de defesa. Azevedo pediu ainda que a sessão da CCJ do dia 31, que decidiu pela cassação de Naya, seja anulada. Segundo ele, outras testemunhas de defesa deveriam ter sido ouvidas. A petição seria entregue à noite ao ministro Ilmar Galvão, do STF.
O julgamento do processo de cassação do deputado Pedrinho Abrão (PTB-GO) foi marcado para o dia 5 de maio. Deveria ter ocorrido ontem, mas a morte do senador Humberto Lucena suspendeu todos os trabalhos no Congresso. Depois de Abrão, a Câmara deverá julgar os processos de cassação dos deputados Chicão Brígido (PMDB-AC), Osmir Lima (PFL-AC) e Zila Bezerra (PFL-AC), todos suspeitos de venda do voto a favor da reeleição.

mockup