O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete aliados serão julgados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a partir desta terça-feira (2), acusados de articular uma trama golpista para reverter o resultado das eleições de 2022. O grupo foi denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República), e o julgamento ocorre cerca de dois anos e oito meses após os ataques de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas em Brasília.

Para especialistas ouvidos pela FOLHA, o processo terá reflexo direto nas eleições gerais de 2026. O analista político e professor da UEL (Universidade Estadual de Londrina) Elve Cenci afirma que o julgamento envolve expectativas distintas entre os atores políticos.

“Para os governistas, especialmente aqueles que pensam na eleição de 2026, Bolsonaro condenado e preso representa alívio e o principal adversário fora do jogo. Mesmo inelegível, Bolsonaro planejava viajar o país para formar maioria no Senado em 2026 com três objetivos: eventualmente cassar ministros do Supremo que lhe fossem desfavoráveis; garantir a sua anistia e reversão da inelegibilidade; pressionar o presidente eleito”, avalia Cenci, que diz que uma condenação reduziria o potencial político do ex-presidente.

Por outro lado, nomes da direita - Romeu Zema (Novo), Ratinho Junior (PSD), Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ronaldo Caiado (União Brasil) - que buscam espaço no eleitorado do ex-presidente podem ver na condenação uma oportunidade. “Hoje o anúncio de uma candidatura de direita é tomado por Bolsonaro como afronta. E esses candidatos precisam dos votos do bolsonarismo”, acrescenta.

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Para o analista, a incógnita está nos próximos movimentos políticos do ex-presidente.

“Pode ser que ele se lance candidato tendo como vice o filho Flávio. Eduardo quer esse posto e se movimenta como candidato, porém, hoje sequer pode voltar ao Brasil. Pode ser que Bolsonaro jogue a toalha e apoie um dos quatro candidatos citados em troca de uma promessa de anistia. Para os quatro, o interesse está nos votos e não na tutela da família Bolsonaro. Se Trump adotar novas medidas contra a economia brasileira, o apoio à condenação pode aumentar ainda mais”, completa.

O advogado e professor Nilso Paulo da Silva avalia que o julgamento terá forte impacto político, construindo o eleitor que irá às urnas em 2026.

“Sem dúvidas, a participação e o acompanhamento do julgamento serão um enorme comício eleitoral, com reflexos nas próximas eleições gerais, atingindo não apenas os candidatos à Presidência, mas todos os que disputarão cargos em 2026”, diz Silva. “Possivelmente teremos uma campanha eleitoral longa e polarizada, o que vai exigir dos órgãos de organização e controle muita atenção e sensibilidade.”

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