Os juízes estão articulando junto ao governo e ao Congresso um aumento salarial disfarçado. A pedido dos líderes da base governista, a Câmara dos Deputados aprovou ontem o regime de urgência para votação de projetos de lei que provocam reajuste em cascata.
A Agência Folha apurou que os projetos vão permitir aumento superior a 100% em alguns casos, se a remuneração dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) for fixada em R$ 12.720. Os principais favorecidos serão os juízes em início de carreira. O salário bruto dos recém-nomeados, por exemplo, para o cargo de juiz federal, deverá passar de R$ 5.248 para R$ 10.905,90.
Os quatro projetos diminuem de 10% para 5% a diferença entre os salários do Supremo e dos tribunais superiores, e destes em relação à remuneração das instâncias inferiores do Judiciário da União. Serão beneficiados cerca de 3.000 juízes da União, que atuam nas justiças Federal, do Trabalho e Militar e no Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Eles estão há três anos e dois meses sem reajuste.
O regime de urgência para os projetos foi aprovado em votação simbólica (sem registro no painel). A ‘‘Folha de S.Paulo’’ apurou que esse é o resultado de pressões de representantes do Poder Judiciário da União junto ao governo, sob o comando do presidente interino do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ministro Pádua Ribeiro.

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