Juízes param em novembro
Agência Estado
De Gramado
Os juízes de todo o Brasil definiram 4 de novembro como o Dia Nacional de Mobilização e Protesto da magistratura. A decisão foi tomada ontem, durante a assembléia da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), realizada em Gramado (RS). A proposta da greve não vingou, mas os juízes e desembargadores autorizaram o Conselho Superior da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), caso seja preciso, a deflagrar a paralisação, sem a necessidade de nova assembléia. O presidente da AMB, Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho, classificou a decisão como amadurecida.
Mas não afastou a possibilidade de uma paralisação. No entendimento dele, se a greve vier a ocorrer, não será apenas uma forma de reivindicação salarial, mas um instrumento de alerta da sociedade brasileira para os riscos que corre a democracia, diante das agressões feitas contra o Judiciário. Carvalho sustentou que a manifestação de Gramado soube evitar o desgaste que a magistratura teria se cruzasse os braços neste momento.
Os magistrados também atribuíram caráter permanente à assembléia da categoria. A organização do movimento ficará a cargo dos Conselhos de Representantes e Executivo da AMB.
Ao fim da reunião, foi redigida a Carta de Gramado que, entre outros itens, enfatiza que o alvo de qualquer reforma constitucional só pode ser o aperfeiçoamento das instituições a que se refira, sendo inadmissível o seu enfraquecimento ou a sua deformação. Alerta que os juízes, para exercer as funções com independência, sem submissão a pressões de qualquer tipo, necessitam que sejam respeitadas as prerrogativas constitucionais da magistratura. As prerrogativas são uma garantia da sociedade, de modo a preservar a força das decisões judiciais frente aos abusos dos poderes político e econômico. O documento acentua que os quadros do Judiciário devem ser íntegros e éticos.
Uma mensagem da assembléia de Gramado será enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo que o tribunal assuma o papel de última instância do Poder e defina o novo teto salarial para o Judiciário.
Carvalho ressaltou que, durante os cinco anos de congelamento da remuneração dos magistrados, 120 carreiras do serviço público da União obtiveram reajustes. Ele disse, em entrevista à Rádio Gaúcha, que tem muita gente ganhando acima do teto e notou que existe muita hipocrisia e demagogia em torno do assunto.





