Juízes federais criticam atuação de entidade contra CNJ
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sábado, 24 de dezembro de 2011
Débora Zampier <br> Agência Brasil 
Brasília - Juízes federais incomodados com a atuação da associação que os representa, a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), estão usando o grupo de discussão na internet da própria entidade, para criticá-la. A Ajufe é uma das signatárias da ação que suspendeu, na última segunda-feira, a investigação da corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre a evolução patrimonial de magistrados e servidores do Judiciário.
Um dos juízes que enviou mensagem aos colegas é o titular da 3 Vara Federal de Campo Grande, Odilon de Oliveira, que apura crimes financeiros e de lavagem de dinheiro. Ele reclama do fato de a Ajufe não ter consultado seus filiados antes de adotar a posição contra a corregedoria.
''O presidente da Ajufe tem a prerrogativa de publicar notas, mas como esse tema envolve interesse de todos os juízes, teria a necessidade de ter consultado os associados. Acho que a posição da Ajufe conjunta com a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), foi agressiva, desproporcional, e não baseada em prova de que houve quebra de sigilo'', disse à Agência Brasil.
Ele também acredita que a ministra Eliana Calmon, corregedora do CNJ, passou a ser atacada porque começou a investigar a ''elite'' da Justiça. ''Investigar a elite dói. Há reação da própria elite, que começa a acusar o investigador e procurar formas de derrubá-lo'', argumenta. Para Oliveira, o acesso a dados sigilosos de juízes deve ser irrestrito ao órgão de controle porque os magistrados recebem do Estado e têm ''a enorme responsabilidade de lidar com o patrimônio alheio''.
O juiz titular da 1 Vara Federal de Bauru (SP), Roberto Lemos, também disse à Agência Brasil que usou o grupo de discussão da Ajufe para mostrar que não concorda com a entidade. ''Indaguei porque o presidente da associação está questionando um ato legítimo da corregedoria nacional de investigar e apurar problemas, em uma briga que não é dos juízes federais.'' Ele também diz que não foi consultado pela entidade sobre o caso.
Lemos, que foi auxiliar do CNJ na gestão passada, diz que a corregedoria vem atuando em casos difíceis de serem investigados pelos tribunais locais, como nepotismo e situações de assédio sexual em banca de concurso. Ele acredita que sem o trabalho do CNJ, os maus hábitos se perpetuariam. ''Não consigo entender a quem interessa isso (impedir a fiscalização de juízes). Quem não deve não teme.''


