Agência Folha
De São Paulo
Os 228 juízes federais reunidos em Fortaleza (CE) no 16º Encontro Nacional dos Juízes Federais do Brasil aprovaram ontem greve para toda a categoria. Foram 131 votos a favor, 58 contra e 39 abstenções.
De acordo com o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e juiz federal da 1ª Região no Distrito Federal, Fernando Tourinho Neto, a deflagração da greve acontecerá no ‘‘momento propício, a critério da diretoria (da Ajufe) e não precisará de nova assembléia. No encontro foi deliberado também que a Ajufe se desfiliará da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).
A decisão pela greve foi tomada devido à suspensão das negociações com o governo federal para a fixação do teto salarial do funcionalismo em R$ 12,7 mil. A fixação do teto beneficiaria, especialmente, os juízes em início de carreira. O salário inicial, de R$ 5,4 mil, seria elevado em 67,5%. ‘‘O deputado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) preparou um estudo demonstrando que a fixação do teto em R$ 12,7 mil representaria uma economia ao Tesouro de cerca de R$ 150 milhões por ano, pois acabaria com os salários de marajás’’, argumentou o presidente da Ajufe.
Para Tourinho, são ‘‘demagogos aqueles que se manifestam contra a fixação do teto. ‘‘São aquelas pessoas que não querem perder os seus benefícios’’.
A Associação dos Magistrados do Acre (Asmac) anunciou que não participará da greve porque o governo estadual regulamentou recentemente os salários dos juízes. No entanto, em solidariedade aos juízes federais que atuam no Acre, a Asmac está convocando os magistrados para uma operação para tornar ágeis os processos e proferir sentenças durante a paralisação.
A idéia é usar a estrutura do Projeto Cidadão, programa social que emite documentos e troca cestas básicas por armas de fogo. Esse projeto foi premiado em 1998 pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) como modelo de cidania. ‘‘Vamos trabalhar em barracas, emitindo documentos judiciais e realizando julgamentos’’, explicou o presidente da Asmac, Adair Longuini.

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