Brasília - No momento em que o governo e a Justiça discutem os salários dos juízes, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, disse ontem que o correto seria os ministros do STF ganharem cerca de R$ 26 mil por mês. Ele admitiu, porém, que esse valor é impraticável. ‘‘Pelo princípio da irredutibilidade, temos de preservar o poder de compra (dos salários)’’, afirmou. ‘‘Na gestão do ministro Celso de Mello, em 1998, fiz um expediente revelando que o subsídio deveria ser de R$ 21 mil.’’
De acordo com Marco Aurélio, seria justo atualizar tal valor pela inflação acumulada desde então, o que faria os salários chegarem aos R$ 26 mil. Atualmente, a maioria dos integrantes do STF ganha R$ 10.764, mas o próprio presidente do tribunal ganha mais - R$ 14.111.
Nos próximos dias, Marco Aurélio deve entregar ao presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), um projeto de lei propondo que os salários dos ministros do Supremo sejam elevados para R$ 17.171, o que representará 59,52% de aumento em comparação com os vencimentos atuais, na média. Essa cifra foi definida pelos próprios integrantes do STF, durante uma reunião fechada realizada no final de abril.
Dos 11 ministros do Supremo, apenas Marco Aurélio foi contra o envio do projeto à Câmara. Ele concluiu que o STF deveria antes julgar uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) apresentada por um partido nanico, o PSL, contra a emenda da reforma administrativa, que estabeleceu um teto salarial para o funcionalismo público.
Marco Aurélio fez questão de afirmar que o projeto pede uma reposição de poder aquisitivo. ‘‘Não é aumento’’, disse.

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