Curitiba - Em reação à declaração da corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, de que existem ''bandidos de toga'' no Judiciário, juízes do Paraná lançaram nesta semana uma campanha de valorização da magistratura, afirmando serem ''vítimas de injustiças''. ''Já viu alguém ser condenado antes de qualquer julgamento? Infelizmente, é o que tem acontecido com os juízes no Brasil'', afirma o texto principal da campanha.
O texto menciona que há uma ''tendência que, das mais diversas formas, tenta culpar os juízes pelas falhas e pela morosidade dos julgamentos''. A campanha é uma iniciativa da Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar) e tem o apoio da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) - instituição que quer reduzir o poder de fiscalização do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com o argumento de que as corregedorias dos tribunais é que devem atuar nesse sentido.
As declarações de Eliana Calmon, feitas no final de setembro durante uma entrevista em defesa do CNJ, foram a ''gota d'água'' para dar início à campanha, de acordo com o presidente da Amapar, Gil Guerra. Para ele, as declarações da corregedora foram ''desastrosas'' e ''pecaram pela generalidade''. Guerra diz que o objetivo da campanha, chamada ''Olhos Abertos'', é, além de recuperar a autoestima da categoria, resgatar a relação dos magistrados com a população. ''Que as pessoas abram os olhos e nos vejam como seres humanos'', diz.
Embora afirme que a campanha não tem relação com a luta pelo reajuste do Judiciário, Guerra expõe, entre seus argumentos, que a carga de trabalho de um juiz é ''sobre-humana'' e que todas as categorias têm recomposição salarial anual, à exceção dos juízes.

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