Curitiba - Os juízes do Paraná vão aderir à greve contra a reforma da Previdência idealizada pelo governo federal. Em assembléia extraordinária, dirigida pelo presidente da Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar), Roberto Portugal Bacellar, ontem à tarde, 150 juízes de todo Estado deliberaram pela paralisação. O Paraná é o oitavo estado brasileiro a tomar essa decisão. Na segunda-feira, presidentes das Associações dos Magistrados de toda a federação vão se reunir em Brasília com a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) para decidir quando começa e qual será a duração da greve. Se concretizada com a adesão da maioria dos 800 juízes espalhados pelo Estado, 70% dos processos que tramitam no Paraná correm o risco de ficar parados.
''O discurso de que a reforma da Previdência vai criar Justiça social e defender o cidadão mais humilde é engodo. O que querem é o enfraquecimento do Poder Judiciário'', afirmou o presidente da Amapar. Segundo a Amapar, a reforma é inconstitucional e tem natureza fiscal, arrecadatória e também ideológica, uma vez que concentra o poder no Executivo. A reforma prevê disparidade entre os salários dos juízes estaduais e federais, sendo que os dos últimos seriam maiores. O presidente da Asssociação dos Juízes Federais do Paraná (Apajufe), Friedmann Wendpap, compareceu à assembléia para deixar claro o apoio da categoria aos juízes estaduais.
Uma das principais reivindicações dos juízes é a aposentadoria integral. Segundo a Amapar, a categoria é redistribuidora de renda, não representando prejuízo para a Previdência. ''No Paraná, para cada juiz aposentado, temos três na ativa. E nós contribuímos com 11% do nosso salário'', afirmou Bacellar. Ele ainda complementou dizendo que esse número não é maior porque as ''ameaças'' de reformas em 1995 e 1998 desistimularam muitas pessoas a prestarem concurso. De acordo com o texto da reforma, o teto de aposentadoria dos juízes estaduais seria de R$ 2,4 mil e não proporcional ao salário atual.
Segundo o presidente da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), José Aquino Flôres de Camargo, que compôs a mesa, o governo federal está taxando o Poder Judiciário como '' a causa, o câncer do desequilíbrio econômico do País''.

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