Brasília - Juízes das 13 varas federais de combate ao crime de lavagem de dinheiro no País preocupam-se com a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) proibir o Ministério Público (MP) de participar, ativamente, de investigações. O medo foi manifestado ontem, numa reunião ocorrida em Brasília para discutir estratégias e uniformização de procedimentos desses órgãos. Na semana passada, um dia antes de tomar posse como presidente do Supremo, o ministro Nelson Jobim deixou clara a opinião: ''Está dito na Constituição que compete à polícia presidir os inquéritos. Se o Ministério Público tem elementos para produzir a denúncia, o faça. Quem tem de fazer inquérito é a polícia.''
Em breve, o plenário do STF fixará um entendimento sobre a participação de integrantes do MP nas apurações em geral. O prognóstico é de que a maioria dos ministros do STF seguirá o raciocínio de Jobim, contrário à participação ativa do MP nas averiguações.
O envolvimento dos procuradores nas investigações é considerado pelos magistrados especializados no combate à lavagem como uma ferramenta importantíssima. ''Nesses crimes de alta complexidade, de alta tecnologia, que envolvem corrupção com participação do poder público e político, se o Ministério Público não participar das investigações, os resultados podem não ser, muitas vezes, satisfatórios. Essa é a preocupação dos juízes que estão no front'', afirmou o ministro Gilson Dipp, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que participou da reunião.
Dipp observou que o crime de lavagem de dinheiro é altamente complexo e que as varas especializadas enfrentam dificuldades. Uma delas é a participação de mais de um procurador da República nos casos. ''Preconizamos que o ideal seria que ocorresse como no Sul, onde um procurador fica vinculado ao processo'', afirmou. Ele disse que outro obstáculo é o número insuficiente de policiais para realizar perícias.

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