Juízes decidem hoje paralisação
Agência Folha
De Gramado
O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho, insinuou ontem que o presidente do Senado, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), estaria empurrando os juízes para a greve, embora tenha reiterado ser contra a paralisação. Anteontem, ACM criticou a articulação para concessão de aumento salarial apenas aos magistrados, depois de faltar à reunião no Palácio da Alvorada que discutiria a fixação do teto único do funcionalismo.
Ao tomar conhecimento da declaração ontem, Carvalho afirmou: Não somos políticos por formação, mas podemos perceber quem quer nos manipular e por que quer. Ele evitou citar o nome de Antonio Carlos Magalhães. Os 1.700 juízes que participam do 16º Congresso Brasileiro de Magistrados, em Gramado (RS) vão votar hoje uma proposta de greve por aumento salarial.
A reivindicação foi reforçada pela desistência dos Três Poderes em fixar um teto único para o funcionalismo. Essa iniciativa garantiria aumento para todo o Judiciário. No entanto, a proposta de greve deverá ser rejeitada em razão do receio de desgaste político no momento em que setores do Poder Judiciário são investigados por uma CPI do Senado.
Os magistrados estavam preparando ontem uma estratégia para rejeitar a paralisação sem ficar desmoralizados pela ameaça de realizá-la e a incapacidade de promovê-la. Para isso, esperavam um aceno do Supremo. Eles aguardavam um compromisso firme do STF com o encaminhamento de uma solução.
O presidente do STF Carlos Velloso, convocou uma sessão administrativa para o início da noite de ontem para discutir a questão com os outros dez ministros. Além de Velloso, outros três ministros estiveram presentes no congresso em Gramado, e sofreram pressão dos magistrados: Sepúlveda Pertence, Marco Aurélio de Mello e Néri da Silveira. A ocorrência dessa sessão será bem recebida pelos juízes se houver a sinalização de que o Supremo chamou para si a solução da questão, disse Carvalho.
Ontem, o porta-voz da Presidência, Georges LamaziSre, afirmou que o presidente Fernando Henrique Cardoso está sensível ao problema salarial da maioria dos juízes e aberto para o exame de propostas de solução. O presidente não acenou com uma solução específica para o assunto. As negociações continuam, afirmou. A solução global implica o consenso dos três Poderes.





