Juíza nega visita de argentino ganhador do Nobel da Paz a Lula
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quarta-feira, 18 de abril de 2018
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 

Curitiba - A juíza Carolina Lebbos negou o pedido do ativista argentino Adolfo Peréz Esquivel, vencedor do prêmio Nobel da Paz em 1980, de visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quarta-feira (18), na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, onde ele cumpre pena desde o dia 7 de abril. O Ministério Público Federal (MPF) também se posicionou contra.
Em despacho, a magistrada disse que há excessivos pedidos para vistoriar a sala do petista, sendo que não existem indícios de irregularidade nas instalações. "Especificamente em relação ao ex-presidente, reservou-se, inclusive, espécie de Sala do Estado Maior, separada dos demais presos, sem qualquer risco para a integridade moral ou física (
) Ainda assim, já houve verificação das condições de custódia por Comissão de Direitos Humanos do Senado, com autorização deste juízo, inexistindo razão para reiteração do ato", escreveu.
O ativista fez o pedido usando como base as chamadas Regras de Mandela, ou Regras Mínimas da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Tratamento de Presos, que preveem a inspeção de prisões "por órgão independente da administração prisional, o que pode incluir órgãos internacionais ou regionais competentes". Na avaliação da juíza, contudo, tais recomendações não são impositivas, podendo ser interpretadas, ponderadas e aplicadas de acordo com as peculiaridades de cada país, cada estabelecimento penal e cada caso concreto.
Esquivel viajou à capital paranaense para participar, ao lado do ex-ministro da Defesa Celso Amorim, do evento "Os Direitos Fundamentais, a Democracia e a Constituição da Primavera", promovido na noite de quarta no Teatro da Reitoria. Segundo o Partido dos Trabalhadores (PT), o ativista argentino é um dos grandes defensores da candidatura oficial de Lula ao Nobel.
MPF
No final da tarde desta quarta-feira (18), o Ministério Público Federal anexou um documento da força-tarefa da Lava Jato, ao processo da execução penal de Lula em que diz não ser "viável a fixação ou a elasticidade de horário diferenciado para visitas" ao ex-presidente. Políticos, parlamentares e apoiadores têm requerido o direito de visitar e fazer vistoria na "cela" especial em que Lula cumpre pena.
No documento, o MPF se manifestou também contra a vistoria da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, comunicada à juíza Carolina Moura Lebbos, terça-feira à noite, e marcada para esta quinta-feira (19), dia da segunda visita da família do petista. "Inicialmente há que se observar que a diligência que a comissão pretende realizar no dia 19 de abril de 2018 é materialmente inviável porquanto no mesmo dia da semana está estabelecido o horário de visitas para os parentes e demais pessoas elencadas no art. 41, X, da Lei de Execuções Penais", informa o procurador regional da República Januário Paludo.
Segundo o MPF, é preciso observar a preponderância da regra da Lei de Execuções Penais, "garantindo-se o direito de visita ali estabelecido e não o pedido de inspeção, cuja antecedência de 10 dias não foi observada".
AMIGOS
No parecer, o MPF pede que a defesa se pronuncie sobre os pedidos feitos por amigos, como o petista Luiz Marinho, a presidente da UNE Marianna Dias de Sousa e outros. Segundo o órgão, as visitas deverão serem feitas no mesmo dia que as visitas da família, as quintas-feiras. "Em outras palavras, se não for possível a visita em um dia, esta poderá ser realizada na semana subsequente, a depender também da ordem de chegada." (com Agência Estado)


