Maringá - A juíza da Vara de Execuções Penais de Maringá, Denise Hammerschmidt, indeferiu o pedido de progressão de regime para o semi-aberto feito pelos advogados do ex-secretário de Fazenda da Prefeitura de Maringá, Luis Antonio Paolicchi. Ela fundamentou o indeferimento destacando as sete ações penais em andamento das quais Paolicchi responde por crimes contra o Patrimônio Público; a fuga do sentenciado quando começaram a ser instaurados os processos criminais; a revolta da população contra o ex-secretário pelos crimes cometidos; e ainda a ausência de reparação do dano causado em prol da coletividade. A juíza também levou em consideração o laudo psicológico do exame criminológico que revela desvios de personalidade de Paolicchi, ''indicando um perfil altamente inteligente voltado para o crime, inclusive com dissimulação de personalidade''.
O pedido de progressão de regime foi feito pelos advogados de Paolicchi, uma vez que ele já cumpriu um sexto da pena de 11 anos, oito meses e 15 dias referente a uma ação civil pública. Paolicchi está preso desde dezembro de 2000. Atualmente ele está na Penitenciária Estadual de Maringá, mas já cumpriu boa parte da pena na Polícia Federal e no 4º Batalhão da Polícia Militar.
De acordo com a juíza, a maioria das sete ações ainda em andamento tem sentenças em primeiro grau procedentes, indicando o envolvimento dele no desvio direto das contas bancárias do município. Junto com outros envolvidos, Paolicchi, conforme as ações, teria lesado o município em R$ 84,3 milhões. Ela lembra entretanto, que o ex-secretário municipal não demonstrou arrependimento uma vez que não ressarciu o dano causado ao Estado ''em um centavo de real''. Denise destaca que Paolicchi teria condições de fazer a devolução do dinheiro já que o patrimônio do ex-secretário foi avaliado em R$ 15 milhões no início das investigações.
Sobre o laudo psicológico do ex-secretário de Fazenda de Maringá, a juíza transcreveu parte da avaliação que classifica Paolicchi como ''hiperemotivo, o qual é capaz de qualquer coisa para agradar os outros, solícito, bajulador e sugestionável, ou seja, oscilar entre o bem e o mal, de acordo com as influências e pressões''. A inteligência de Paolicchi, ainda de acordo com o laudo psicológico ''é usada inclusive para esconder o que fez de errado e dissimular alguns traços de sua personalidade (...)''.
O advogado do ex-secretário, Moisés Zanardi disse ontem que tinha conhecimento da decisão da juíza mas não conhecia os fundamentos da decisão. Ele disse que iria avaliar o indeferimento para decidir se irá recorrer através de um pedido de habeas-corpus. ''O meu cliente tem direito à progressão de regime, mas a juíza entendeu que este não é o momento certo. Agora vou analisar no que ela se baseou para tomar esta decisão'', disse.

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