A juíza Joana Tonetti Biazus, de Carlópolis (80 km ao sul de Jacarezinho), indeferiu ontem o pedido de liminar feito pelo prefeito Adir José Ciofi (PTB), que recorreu à Justiça para voltar a exercer o cargo. O mandato dele foi cassado pela Câmara de Vereadores na semana passada, por seis votos a três. Ciofi é acusado de várias irregularidades, entre elas a contratação ilegal de funcionários, licitações fraudulentas e desvio de dinheiro público. As irregularidades - um total de 23 - estão listadas no relatório da Comissão Especial de Inquérito (CEI) instaurada pela Câmara.
O vice-prefeito Roberto Coelho (PL) assumiu a prefeitura há oito dias e determinou uma auditoria nas contas públicas. Ele informou ontem que ainda não tem um levantamento completo da situação. ‘‘Mas já estamos avaliando convênios e projetos. Inclusive alguns convênios foram perdidos por falta de contrapartida’’, antecipou.
Coelho pretende determinar, nos próximos dias, medidas de contenção de gastos como fusão de secretarias - atualmente são seis - e extinção de cargos de confiança. ‘‘99 será um ano superdifícil e é preciso economizar’’. Segundo ele, a folha de pagamento dos cerca de 400 servidores públicos municipais consome R$ 150 mil dos R$ 300 mil mensais da arrecadação.
A Câmara de Vereadores já encaminhou o resultado da CEI ao Ministério Público e ao Tribunal de Justiça do Estado. Segundo o advogado Altair Pinheiro Júnior, as denúncias sobre irregularidades cometidas por Ciofi chegaram ao Legislativo através de seu cliente, João Rodrigues de Camargo. O advogado acredita que as 23 irregularidades listadas pela CEI não representam ‘‘nem um terço do total’’. ‘‘Estamos na torcida para que ele não volte ao cargo e o município volte a crescer’’, afirmou.
Adir José Ciofi disse ontem à Folha que pretende reassumir a prefeitura nos próximos dias. Ele estava em Curitiba ingressando com recurso contra a decisão da juíza de Carlópolis no Tribunal de Justiça. Ciofi admitiu, porém, que efetuou contratações irregulares. ‘‘Foi coisinha mínima. Eu queria acertar a situação do pessoal carente que estava passando fome e ao invés de dar cesta básica, resolvi aproveitar o serviço na frente de trabalho’’. Ele admite que contratou pelo menos 35 pessoas. ‘‘É irregular, não resta a menor dúvida, mas a intenção não foi prejudicar ninguém’’.
O prefeito afastado nega as outras denúncias, entre elas de que a prefeitura teria ficado com parte do salário de servidores. ‘‘Vou provar na Justiça que não tive participação nenhuma’’. Ciofi acredita que o processo contra ele tem cunho político e pretende ingressar com denúncias contra a Câmara. ‘‘Se eu cometi irregularidades, a Câmara também e eu vou provar’’, ameaçou. Para ele, ‘‘a melhor defesa é o ataque’’. ‘‘Eles estão pegando no meu pé porque fiz em dois anos o que eles (os adversários) não fizeram em dez. Mas o povo pode ficar tranquilo porque eu vou voltar. E se tiver reeleição para prefeito, sou candidato. Se não tiver, ponho a minha mulher, a Lúcia’’. (P.Z)

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