Juíza manda Sanepar readmitir funcionário
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quinta-feira, 24 de abril de 2008
Catarina Scortecci<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - A juíza substituta Graziella Carola Orgis, da 5 Vara do Trabalho de Curitiba, determinou que a Sanepar reintegre o funcionário Marcelo Cavalcanti Fortes. Ele foi demitido logo após a oposição ao governo ter afirmado que a Sanepar pagou pela desapropriação de um terreno em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, um valor superior em relação à avaliação de preço feita por Fortes. A oposição acusa a Sanepar de ter pago R$ 2,3 milhões pelo terreno, mas a avaliação feita por Fortes, ainda segundo a oposição, apontava que o valor da área era de R$ 595 mil.
Quando o caso se tornou público, o Conselho de Administração da Sanepar informou que o valor pago foi autorizado a partir de uma segunda avaliação da área, feita por outro técnico. A primeira avaliação do terreno, ainda segundo o Conselho, não era de conhecimento dos seus membros. A cúpula da Sanepar informou que determinaria a apuração de uma eventual irregularidade na desapropriação. O terreno, de 262 mil metros quadrados, é uma das áreas destinadas pela Sanepar para a realização de obras relativas à barragem já instalada no local.
A reportagem entrou em contato ontem com o presidente do Conselho de Administração da Sanepar, Pedro Henrique Xavier (PHX), mas ele informou que não se manifestaria sobre o assunto, que, segundo ele, seria de competência do comando da Sanepar. A assessoria de imprensa da Sanepar informou, entretanto, que apenas PHX falaria sobre o caso.
O líder da oposição Valdir Rossoni (PSDB) informou que até agora não obteve respostas suficientes da Sanepar. A oposição conseguiu aprovar no final de fevereiro um requerimento no qual eram feitas perguntas sobre o processo de desapropriação. A Sanepar enviou seis caixas com documentos relativos a todas as desapropriações feitas na região em função das obras. Rossoni reclamou, entretanto, que, apesar do volume do material, a Sanepar não chegou a responder questões básicas como as datas das avaliações de preço e se o valor já havia sido pago ao proprietário, por exemplo. As caixas foram devolvidas à Sanepar.
A juíza determinou a reintegração do funcionário a partir do mesmo contrato, ou seja, não se trata de uma nova admissão. A decisão é do início de março, mas só foi publicada na última terça-feira. O caso - reclamatória trabalhista - continua correndo na 5 Vara do Trabalho e, no dia 19, às 13h30, haverá uma primeira audiência entre a Sanepar e o funcionário.


