Natural da Bahia, Eliana Calmon entrou para o Judiciário em 1979 e, duas décadas depois, foi a primeira mulher a assumir uma cadeira de ministra no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Apesar da conquista, a presença de mulheres ainda é minoritária na cúpula do Tribunal: são quatro num universo de 33 ministros.
Eliana admite que a situação feminina em muitas esferas de trabalho ainda é marcada pela diferenciação entre os sexos, mas salienta que no STJ não há mais esse tipo de preconceito. ''Não existe, porque o Judiciário foi nossa última barreira, foi o último a abrir as portas da sua cúpula para a mulher. Executivo e Legislativo já tinham dado o primeiro passo'', conta.
Mesmo assim, pelo jeito a conquista feminina do Superior Tribunal demandaria uma ''dose extra'' de amadurecimento dessa instância. ''As mulheres chegaram ao Judiciário na década de 1950; foram necessários 40 anos para mais esse avanço. Mas a tendência é aumentar a participação'', acredita. Se há diferença de tratamento hoje, comparado àquela época? ''Sim. Antes, o foco estava voltado para as decisões da mulher, como seria. Agora já passou a novidade. Há que se manter como profissional, acima de tudo, mesmo porque togas de homem e de mulher são absolutamente iguais'', ensina. (J.G.)

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