A juíza da 4 Vara da Fazenda Pública, Silvia Maria Meirelles Novaes de Andrade, expediu ontem as cartas rogatórias que deverão ser enviadas para as autoridades da Suíça e do paraíso fiscal das Ilhas Jersey, com o pedido de bloqueio do dinheiro do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) e de seis familiares dele, que supostamente estariam depositados em instituições financeiras nos dois países.

As cartas rogatórias deverão ser traduzidas e enviadas para o Ministério da Justiça, junto com partes do processo de investigação sobre Maluf em curso no Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo. O Ministério da Justiça deverá enviar os documentos para o Itamaraty, canal responsável pelo encaminhamento do pedido de bloqueio junto às autoridades suíças e de Jersey.

O advogado de Maluf, Ricardo Tosto, afirmou que seu cliente deverá recorrer do pedido de bloqueio. O promotor Silvio Antônio Marques, um dos responsáveis pelo pedido do bloqueio de bens, avaliou que um eventual recurso de Maluf será a comprovação da culpa. ''Por que ele tentaria impedir o bloqueio do dinheiro se não existe dinheiro lá?'' Maluf insiste que ''não tem e nunca teve'' dinheiro em qualquer paraíso fiscal do mundo.

O advogado, que se reuniria ontem à noite com Maluf, apresenta outros argumentos para uma eventual contestação judicial do pedido de bloqueio. ''Trata-se de uma execração pública'', afirmou Tosto. ''E, além do mais, uma ação internacional poderá prejudicar não só os familiares de Paulo Maluf como suas empresas, que mantêm negócios em vários países do mundo.''

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