Sorocaba - A empresa Eucatex S/A, da família do ex-governador de São Paulo Paulo Salim Maluf, terá de complementar o pagamento referente à primeira parcela da concordata requerida há um ano para evitar o risco de ser decretada sua falência. O despacho nesse sentido foi dado na semana passada pela juíza Renata Cristina Rosa da Costa Silva, da 3 Vara Cível de Salto, região de Sorocaba, a 92 quilômetros de São Paulo. O prazo de 48 horas estipulado pela juíza começa a correr após a publicação no Diário Oficial do Estado. O valor a ser depositado não foi divulgado. Por envolver questão comercial, apenas as partes envolvidas têm acesso ao processo.
O advogado de uma das empresas credoras, que pediu para não ser identificado, disse que o valor a ser depositado não é significativo ante o volume total da parcela já paga. Segundo ele, é normal haver diferença a ser recolhida em processos dessa monta. Em abril, a Eucatex depositou 40% do valor do débito, de cerca de R$ 200 milhões. Outros R$ 50 milhões são devidos pela Eucatex Química, também concordatária. A parcela inicial já foi depositada. O cálculo sobre a exatidão do depósito ainda não foi concluído.
A Eucatex, uma das maiores fabricantes de compensados e aglomerados de madeira do País, pediu concordata em abril do ano passado, alegando impossibilidade de manter em dia seus compromissos financeiros. A empresa atribuiu a dificuldade aos juros elevados e ao quadro de instabilidade econômica vivida na época pelo País. Por causa da crise energética ocorrida há três anos, a Eucatex havia importado equipamentos para instalar uma termoelétrica, contraindo dívida em dólares. O projeto foi engavetado e o material não foi utilizado.
De acordo com o presidente do Sindicato da Construção e do Mobiliário de Salto, Aparecido Galvão, a empresa aproveitou a concordata para demitir funcionários. ''Mandaram embora 150 pessoas em abril do ano passado e outros 150 em fevereiro último.'' O quadro atual é de 1.300 empregados. Galvão denunciou a empresa ao Ministério do Trabalho por excesso de jornada.
A Eucatex informou no início da noite de ontem, através de sua assessoria de imprensa, que o depósito complementar do pedido de concordata, que tramita no Fórum de Salto, já foi feito. O dinheiro teria sido depositado ontem. Até o fechamento do Fórum, no entanto, a guia que comprova o recolhimento não tinha sido apresentada no cartório. A empresa alegou não ter conhecimento das reclamações do Sindicato da Construção e Mobiliário sobre o excesso de jornada dos funcionários, que estariam fazendo um número excessivo de horas-extras desde a demissão de 150 trabalhadores, em fevereiro.

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