Juíza cita envolvidos em milícia armada
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segunda-feira, 30 de maio de 2005
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Justiça Federal de Ponta Grossa recebeu denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra aproximadamente 20 pessoas supostamente envolvidas com a formação de milícias armadas no campo, violação dos direitos humanos, porte ilegal de armas, tráfico de drogas e formação de quadrilha. Entre os denunciados estão os oito presos durante a Operação Março Branco, da Polícia Federal, no último dia 5 de abril. Na ocasião foram presos o tenente-coronel Valdir Copetti Neves (oficial da Polícia Militar); os policiais da reserva Ricardo José Derbes, José Valdomiro Maciel, João Della Torres Neto e Nereu Paschoal Moreira; o ex-policial militar excluído Adair João Sbardella; os sem-terra (possivelmente infiltrados) Silvana Araújo de Almeida e Carlos Ney Ferreira.
A denúncia foi recebida na semana passada pela juíza Sílvia Brollo, da 1 Vara Federal de Ponta Grossa. ''Recebi a denúncia e estou citando todos os denunciados para interrogatório'', confirmou ontem a magistrada. As investigações sobre a formação de milícias armadas no campo começaram no início do ano passado. Foi formada uma força-tarefa composta por policiais civis, militares e federais para investigar o caso, que envolveria vários fazendeiros da região dos Campos Gerais. A Polícia Federal (PF) foi a responsável pelo inquérito e pelas investigações que comprovariam todas as denúncias.
Além de degravações de conversas telefônicas gravadas através de autorização judicial, foram anexados ao inquérito os resultados da Operação Março Branco, que efetuou 13 mandados de busca e apreensão em Curitiba, Ponta Grossa e Cascavel e terminou com a apreensão de 16 armas de fogo (entre revólveres, pistolas, escopetas, carabinas), munições importadas, recibos de fazendeiros, fotografias de acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), binóculos para vigilância no campo, equipamentos de rádio-transmissão e três carros de patrulhamento rural.
Por ser oficial da PM, Neves está preso no quartel do Corpo de Bombeiros, em Curitiba. Depois de citados, todos os envolvidos terão que apresentar defesa. Os nomes dos denunciados estão sendo mantidos em sigilo. O processo está sob segredo de Justiça.


