A designação do juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio, para atuar exclusivamente nas ações penais da Operação Publicano 1 e 2 e da Operação Voldemort divide membros do Ministério Público do Paraná (MP), da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Londrina e advogados dos réus implicados no caso. Os defensores ameaçam recorrer da decisão tomada pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, desembargador Paulo Roberto Vasconcelos.
A nomeação de um juiz exclusivo era uma cobrança de entidades do município e do movimento "Vai Gaeco", fomentado nas redes sociais, que elaboraram a Carta de Londrina, onde cobram celeridade nas julgamentos para evitar a prescrição, conforme ocorreu em ações do caso AMA/Comub, escândalo da administração do ex-prefeito Antonio Belinati (1997-2000).
Advogados ouvidos pela FOLHA consideram que a exclusividade fere o princípio da "manutenção do juiz natural", embora o titular da 3ª Vara seja naturalmente o juiz responsável pelas decisões referentes às duas operações.
Para o MP, a designação de um juiz único para os casos não corre risco de ser revertida. "Não há minimamente qualquer restrição de caráter legal a ser apontada contra a medida do TJ", defende o procurador de Justiça e coordenador estadual do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Leonir Batisti. O presidente da OAB-Subseção Londrina, Artur Piancastelli, considerou "acertada" a decisão pois o elevado e "incomum" número de réus, testemunhas e de advogados não pode ser sinônimo de prescrição no andamento de um processo.

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