Juiz toma depoimentos sobre propina na Câmara
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quarta-feira, 03 de dezembro de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A Justiça de Londrina realizou ontem a primeira audiência de instrução do processo em que o ex-vereador Orlando Bonilha (sem partido) é acusado de cobrança de propina para a mudança de zoneamento que beneficiou a microcervejaria Fábrica 1, no Jardim Hedy (Zona Oeste), no ano de 2005. O caso se refere à ação civil pública ingressada em 12 de março pelos promotores de Defesa do Patrimônio Público, Leila Voltarelli e Renato de Lima Castro, na qual o ex-parlamentar é apontado como suposto beneficiário de R$ 12 mil em propina para que o empreendimento fosse aprovado no plenário. Bonilha, que foi cassado em maio em meio ao escândalo no Legislativo, era presidente da Casa à época. É justamente a ausência a uma audiência referente a esse mesmo caso, mas de ação que tramita na 5 Vara Criminal, em 20 de maio, que levou à decretação da prisão preventiva do ex-vereador. Ele ficou três dias preso no Centro de Detenção e Ressocialização (CDR).
Foram intimados a comparecer ontem perante o juiz da 8 Vara Cível, José Ricardo Alvarez Viana, os empresários Nelson Dequêch e José Durães, proprietário da cervejaria, e o ex-vereador João Dib Abussafi (PPS). Também depuseram três testemunhas arroladas pelo Ministério Público (MP).
Conforme o depoimento ao MP este ano, Dequêch teria pago R$ 12 mil a Bonilha para que não houvesse obstáculos a aprovação da alteração do zoneamento onde estava localizado o terreno. Proprietário da área, Dequêch a venderia na sequência a Durães. O primeiro contato com a Câmara, dissera, teria sido com Abussafi, que apresentou a proposta ao prefeito Nedson Micheleti (PT).
Abordado pela reportagem, Dequêch preferiu não se manifestar. Já Abussafi, representante da Câmara, à época, no Conselho Municipal de Planejamento Urbano (CMPU), disse que apenas teria levado os empresários a expor a idéia do empreendimento ao Executivo, que elaborou o projeto. ''Não tenho conhecimento de pagamento nenhum, até porque esse projeto tramitou mais na Prefeitura que na Câmara. O Conselho apenas exigiu as adequações viárias.''
Já Durães afirmou que, desde o início, ''o prefeito garantiu que eu poderia apresentar o pedido de mudança de zoneamento, que da parte dele não teria obstáculos''. ''Seo Nelson apenas foi o vendedor e me ajudou nesse esforço junto ao governo municipal. Só fui saber dele próprio que havia sido necessário o pagamento, mas sem especificação de nomes, depois que isso já tinha acontecido.'' Indagado se em algum momento ouviu o nome de Bonilha como interlocutor em eventual transação, o empresário declarou: ''Só fui saber disso depois, pelos jornais''.
Bonilha evitou dar declarações - saiu rapidamente e resumiu: ''Mantive o que eu vinha falando desde o início''. Desde que o caso veio à tona, ele nega que tenha tido sequer contato com Dequêch. ''A palavra do Nelson foi isolada, não foi confirmada por ninguém. Não entendo o porquê de se falar nessa importância para o Bonilha. Se algum valor foi dado, esse valor ficou na Prefeitura, mas ele (Dequêch) não disse para quem'', rechaçou o advogado do ex-vereador, Ronaldo Neves.
Para o promotor, porém, a audiência foi ''muito positiva''. ''As testemunhas ratificaram as declarações prestadas ao MP no sentido de que houve, sim, a cobrança de propina de R$ 12 mil'', declarou. A expectativa de Castro é de que a sentença saia em breve; no máximo, início de janeiro.


