O juiz da 3 Vara Criminal de Londrina, Katsujo Nakadomari, afastou Roberto Coutinho Mendes da presidência da Sercomtel e da presidência do diretório municipal do PDT - ele passou a ocupar a vice-presidência no dia 5 de maio, portanto, depois do início das investigações. Apesar de indeferir o pedido de prisão preventiva, apresentado pelo Ministério Público (MP), o magistrado acatou a ''hipótese da conveniência da instrução criminal pelo fato de Roberto Coutinho Mendes poder se valer dos cargos que ocupa para influir na instrução, como já vem fazendo'' e decretou o afastamento por tempo indeterminado. O juiz também deferiu o pedido de quebra de sigilos bancário e telefônico dos réus, desde janeiro de 2011.
No processo, o MP aponta três ocorrências que demonstram o ''uso da máquina pública'' durante as investigações e que teriam atrapalhado o procedimento instaurado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do MP. Conforme o MP, Coutinho, durante depoimento, esteve acompanhado do advogado da Sercomtel, João Pignataro Neto, servidor de carreira. O MP apontou, ainda, o ''uso do site da Sercomtel para publicação de nota oficial que não passa de defesa pessoal''. E, por fim, relatam os promotores que assinam a ação, a demora nas interceptações telefônicas.
Foram pedidas 22 interceptações telefônicas, que deveriam ser executadas pelas operadoras entre os dias 21 de abril e 6 de maio. Com exceção da Sercomtel, as demais operadores (Vivo, Oi e Tim) cumpriram a determinação, ao passo que a operadora londrinense iniciou o procedimento somente no dia 26 de abril (em oito telefones fixos e oito celulares), ou seja, dois dias depois das prisões em flagrante do ex-secretário de Governo Marco Cito e do empresário Ludovico Bonato. Acrescenta o MP que apenas em 3 de maio houve o encaminhamento das gravações para o sistema de captação do Gaeco. A interceptação implantada pela Sercomtel ficou com prazo inferior ao legal, ''terminando em 5 de maio''.
Em razão das irregularidades, foram convocados para prestar esclarecimentos, ainda durante o inquérito, o diretor de engenharia da Sercomtel, Hans Jorgen Muller, e o gestor de gerenciamento de redes, Mauro Roberto Borges. Na saída do Gaeco, eles alegaram terem prestado apenas esclarecimentos técnicos.
Coutinho Mendes foi procurado para comentar a decisão da Justiça, mas não quis dar nenhuma declaração. Ontem, antes do afastamento, ele havia procurado a FOLHA, através da assessoria de imprensa da Sercomtel, para reafirmar que os R$ 5 mil que sacou da conta pessoal, no dia das prisões em flagrante (Cito e Bonato) foram emprestados para que o diretor de Participações da empresa, Alysson Tobias de Carvalho, fizesse uma viagem a Curitiba até ao Tribunal Regional Eleitoral e à sede do PDT. Coutinho afirmava que a nota enviada às redações na terça-feira tinha a intenção de esclarecer que a viagem não tinha ligação com eventual venda da coligada Adatel, conforme divulgado pela defesa de um dos acusados. Conforme a denúncia criminal, o dinheiro retirado por Coutinho teria sido repassado a Alysson para o pagamento de propina para o vereador Amauri Cardoso (PSDB), que acabou denunciando o suposto esquema.
Além de Coutinho Mendes, Cito, Alysson e Bonato, são réus na ação o vereador afastado Eloir Valança (PHS) e o chefe de Gabinete da prefeitura, Rogério Lopes Ortega. Continuam detidos na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2) Ortega (desde o dia 1º de maio), Cito e Bonato (ambos desde o dia 24 de abril).

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